Morre Antônio Carlos Nunes, ex-presidente interino da Cbf, aos 87 anos
Antônio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, morreu em Belém após longa internação. Dirigente comandou a Federação Paraense de Futebol e presidiu interinamente a CBF, deixando uma trajetória marcada por títulos, disputas institucionais e episódios de repercussão nacional.

Divulgação
Morreu neste domingo (13), em Belém, Antônio Carlos Nunes, aos 87 anos. Conhecido como Coronel Nunes, o dirigente esportivo estava internado havia mais de seis meses em um hospital particular da capital paraense. O quadro de saúde era associado a complicações decorrentes de uma cirurgia na cabeça, realizada anos antes para a retirada de um tumor.
Despedida em Belém e Ananindeua
O velório está marcado para as 13h deste domingo, em uma capela particular na Avenida José Bonifácio, em Belém. O sepultamento será realizado na manhã de segunda-feira (14), em Ananindeua, na região metropolitana da capital do Pará. Familiares, amigos e integrantes do futebol paraense devem se reunir para a despedida.
A CBF divulgou uma nota de pesar e destacou a atuação de Nunes no futebol do Pará e do Brasil. O atual presidente da entidade, Samir Xaud, manifestou solidariedade aos familiares e amigos do dirigente, que ocupou posições relevantes na administração esportiva por quase três décadas.
Do Paysandu à presidência da CBF
Natural de Monte Alegre, no Pará, Coronel Nunes iniciou sua trajetória no futebol como conselheiro e diretor do Paysandu. Participou da gestão papuda em 1991, temporada em que a equipe conquistou o título da Série B do Campeonato Brasileiro. A campanha permanece entre as mais celebradas pela torcida alviazul.
Em 1998, assumiu a presidência da Federação Paraense de Futebol, função que exerceu até 2016. No mesmo ano, passou a comandar interinamente a CBF após o afastamento de Marco Polo Del Nero. Com a suspensão do dirigente, Nunes voltou a assumir a presidência da entidade em 2017 e permaneceu no cargo até 2019.
Voto que gerou repercussão nacional
Um dos momentos mais comentados de sua passagem pela CBF ocorreu na escolha da sede da Copa do Mundo de 2026. Embora houvesse um entendimento entre países da Conmebol para apoiar a candidatura conjunta de Estados Unidos, México e Canadá, Nunes votou no projeto do Marrocos. A decisão contrariou a orientação regional e teve ampla repercussão no ambiente esportivo.
Disputa judicial e afastamento de Ednaldo Rodrigues
Nunes também esteve no centro da disputa institucional que resultou no afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF em 2025. A Justiça do Rio identificou indícios de falsificação de sua assinatura em um acordo relacionado a eleições anteriores da entidade. A análise também levantou questionamentos sobre sua capacidade cognitiva na data do documento, com base em perícia grafotécnica e laudos médicos.
Em maio de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro afastou Ednaldo Rodrigues e nomeou Fernando Sarney como presidente interino da CBF. Dias depois, Samir Xaud venceu a eleição para comandar a entidade. Com a morte de Coronel Nunes, o futebol brasileiro se despede de um dirigente que teve influência decisiva no Pará e participação relevante, embora controversa, nos rumos nacionais da modalidade.
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