Internacional enfrenta novo bloqueio e tem registro de jogadores dificultado por dívidas
O Internacional recebeu um bloqueio preventivo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anvisa) para registrar jogadores. A medida foi motivada pela apresentação de um plano para parcelar R$ 31 milhões em dívidas e soma-se a punições anteriores da Fifa, impondo condições financeiras rigorosas para novas contratações.

Divulgação
O Internacional, um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro, encontra-se diante de um novo desafio financeiro que impacta diretamente sua capacidade de reforçar o elenco. Na última quinta-feira, o clube gaúcho recebeu um bloqueio preventivo para registrar jogadores, uma medida imposta pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anvisa), órgão vinculado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e responsável por fiscalizar o fair play financeiro no esporte. A decisão foi motivada pela apresentação de um plano de parcelamento coletivo de dívidas à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), evidenciando a complexidade da gestão financeira no cenário atual do futebol.
Este bloqueio, contudo, não é o único entrave para o Colorado no mercado de transferências. O clube já estava impossibilitado de registrar novos atletas devido a duas punições anteriores da Federação Internacional de Futebol (Fifa). Essas sanções globais estão ligadas a pendências financeiras nas contratações do lateral-esquerdo Ramon, adquirido do Olympiakos da Grécia, e de Juninho, vindo do Midtjylland da Dinamarca. Enquanto Ramon já foi emprestado ao Vitória, as dívidas persistiam, mantendo o clube sob a restrição da entidade máxima do futebol mundial.
As exigências do bloqueio da Anvisa
A nova restrição aplicada pela Anvisa opera de maneira distinta das penalidades da Fifa, que proíbem automaticamente o registro. No caso da Anvisa, o Internacional não fica automaticamente impedido de registrar jogadores, mas passa a depender de uma autorização prévia da agência para concluir qualquer nova inscrição. Para que uma contratação seja liberada, a Anvisa exige uma série de condições rigorosas: o clube precisa ter um saldo positivo acumulado com receitas de transferências na janela em que a negociação ocorre. Além disso, os gastos com taxas e comissões da nova aquisição, somados aos valores já desembolsados no período, não podem ultrapassar o total arrecadado com vendas de atletas.
A agência também fiscaliza rigorosamente o cumprimento do limite mensal estabelecido pelo Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (RSSF) para a folha salarial dos jogadores e da comissão técnica. Essa regra determina que a remuneração total não pode exceder a média dos seis meses anteriores ao chamado "Evento de Insolvência". Este evento é uma condição definida no próprio regulamento para clubes que iniciam processos de reestruturação financeira ou de parcelamento de dívidas, como é o caso do Internacional.
Parcelamento de R$ 31 milhões como gatilho
A entrada do Inter nessa situação delicada se deu após o clube apresentar à CNRD, em 4 de setembro de 2026, um plano para parcelar débitos com credores. A proposta abrange, inicialmente, um montante de R$ 31 milhões em dívidas diretamente relacionadas à atividade esportiva, mas tem potencial para incluir novos valores conforme outros credores decidam aderir ao procedimento de reestruturação. Este é o segundo episódio de aplicação da Seção 8 do RSSF no futebol brasileiro desde que o regulamento entrou em vigor, em 1º de janeiro de 2026. Em agosto do mesmo ano, o Grêmio foi o primeiro clube a enfrentar uma punição similar, indicando uma nova fase na fiscalização financeira do esporte nacional.
Após a divulgação da decisão, o Internacional emitiu um comunicado oficial, reiterando que a iniciativa de apresentar o plano de parcelamento visa reorganizar suas dívidas e ajustar os pagamentos à sua real capacidade financeira. A medida, embora complexa, busca estabilizar as finanças do clube a longo prazo, mas impõe um período de cautela e negociação em suas movimentações no mercado.
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