Empresas de apostas protestam em estádio contra Mp do governo
Placas de publicidade no MorumBis exibem mensagens contra a proibição das apostas esportivas, em ação articulada por associações do setor.

Divulgação
O primeiro jogo de futebol após a publicação da medida provisória que restringe as apostas esportivas no Brasil foi palco de um protesto silencioso, mas direto. Durante o clássico entre São Paulo e Santos, realizado no MorumBis nesta sexta-feira (2.out.2026), as placas de publicidade do estádio estamparam mensagens críticas à decisão do governo federal. Frases como “Proibir não é proteger” e “A proibição não acaba com as apostas” foram exibidas, chamando a atenção do público e da mídia para o descontentamento do setor.
Ação coordenada do setor de apostas
A iniciativa foi articulada por empresas associadas à Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e ao Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). Essas entidades cederam o espaço publicitário para veicular suas mensagens, que representam a reação do mercado à MP assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida, publicada em 25 de setembro, determina a proibição de apostas de quota fixa e jogos online no país, com o fim das autorizações de operação previsto para 25 de outubro.
Impacto no futebol brasileiro
A proibição das apostas esportivas é vista pelo setor de futebol como uma ameaça direta às suas finanças. Clubes da Série A já haviam manifestado preocupação, divulgando um manifesto intitulado “O fim do futebol brasileiro”, onde alertam para o impacto negativo nas receitas. Nos últimos anos, as casas de apostas se tornaram uma das principais fontes de patrocínio, respondendo por uma parcela significativa dos investimentos em marketing dos clubes. Em 2025, estima-se que as bets tenham sido responsáveis por 34% das receitas de marketing dos 20 maiores clubes do país, um montante que ultrapassa R$ 1 bilhão.
Busca por adaptação e judicialização
Diante do cenário, clubes e representantes das empresas de apostas têm buscado alternativas. Na quinta-feira (1º.out), houve um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que fosse concedido um prazo de adaptação de seis meses a um ano às novas regras. A justificativa é a necessidade de um período para a retirada gradual das marcas de patrocínio e para mitigar os riscos à continuidade das competições. O ministro Luiz Fux, relator das ações que questionam a MP no STF, deu 72 horas para a Advocacia-Geral da União se manifestar sobre o caso, indicando que o debate judicial sobre a medida ainda está em andamento.
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