Csa questiona tratativas sobre liga única e avalia substituir administradora do Cfu
O CSA enviou quatro notificações extrajudiciais a empresas e pessoas envolvidas nas negociações sobre uma possível liga única do futebol brasileiro. O clube pede a preservação de documentos e afirma que a administradora do Condomínio Forte União teria atuado sem autorização prévia em tratativas com o Itaú BBA e a Libra. A administradora nega irregularidades.

Divulgação
Notificações questionam mandato da administradora
O CSA enviou quatro notificações extrajudiciais na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, para questionar a atuação da CFU Administradora, responsável pelo Condomínio Forte União (CFU), e reunir elementos para uma possível substituição da empresa. Para o clube alagoano, a administradora e seu sócio único, Gabriel Ribeiro Lima, teriam conduzido tratativas com o Itaú BBA e a Libra sem autorização prévia e expressa dos contratantes.
Na avaliação do CSA, as conversas teriam envolvido temas fora do objeto previsto no contrato e dos limites do mandato da administradora. O clube pede à CFU Administradora o histórico completo das tratativas com o banco, incluindo correspondências, mensagens, apresentações, propostas, minutas e registros de reuniões. Também solicita as versões do documento de cooperação com a Libra e a gravação audiovisual de uma reunião do Comitê Condominial realizada em 22 de junho.
Clube pede preservação de registros
Uma das notificações foi dirigida a Gabriel Ribeiro Lima e à Associação Futebol Forte União (FFU), com cópia para representantes dos contratantes. Outra reached a Sports Media Entertainment (SME), investidora do arranjo, para esclarecer se a empresa, companhias de seu grupo ou pessoas por ela indicadas participaram de negociações com o Itaú BBA ou a Libra sobre uma liga unificada ou um bloco de exploração de direitos televisivos.
O CSA também notificou o Itaú BBA Assessoria Financeira e a ODDZ Network, empresa da qual Lima e o ex-jogador Ronaldo Fenômeno são sócios fundadores. Segundo o clube, não há acusação de irregularidade contra o banco ou a ODDZ. O objetivo, nesses casos, é assegurar a preservação de e-mails, mensagens, atas, propostas, minutas, apresentações, registros de reuniões e metadados relacionados ao CFU, à FFU e às negociações em análise.
Disputa ocorre nos bastidores da liga única
O CFU reúne 33 clubes e a SME. A administradora cuida da gestão condominial, enquanto a FFU representa os clubes em assuntos ligados ao condomínio. As notificações surgem em meio aos debates sobre a formação de uma liga única no futebol brasileiro e sobre a manutenção dos direitos comerciais e financeiros vinculados ao investimento existente.
Clubes e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foram informados de que a SME não pretende impedir a criação da liga unificada nem participar das decisões desportivas. A empresa busca preservar seus direitos financeiros e comerciais, que poderiam ser adaptados ao novo modelo com base em estruturas semelhantes às utilizadas em investimentos da CVC na La Liga e na Ligue 1.
Administradora nega irregularidades
A CFU Administradora negou as acusações apresentadas pelo CSA. Em manifestação, afirmou que as conclusões da notificação não encontram respaldo nos fatos e documentos mencionados e que todos os questionamentos serão respondidos formalmente, conforme os registros e os procedimentos previstos na governança do Condomínio Forte União. Gabriel Ribeiro Lima não apresentou manifestação sobre as alegações até a conclusão desta reportagem.
CSA intensifica questionamentos à estrutura do CFU
O CSA já contestava a organização da FFU antes do envio das quatro notificações. O clube foi responsável por levar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) questionamentos sobre a operação da liga. No fim de junho de 2026, o órgão determinou que não fossem criados obstáculos à saída de integrantes do bloco, decisão que gerou repercussão entre clubes associados.
Anteriormente, o CSA também havia notificado a FFU por suposto conflito de interesses relacionado à sociedade entre Gabriel Lima e Ronaldo Fenômeno na ODDZ. Lima já havia negado qualquer compartilhamento indevido de informações. Agora, as novas notificações podem subsidiar produção antecipada de provas, exibição de documentos, arbitragem e procedimentos administrativos, além de um possível pedido de substituição da administradora previsto na convenção do condomínio.
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