Clubes criticam possível restrição às bets pelo governo federal
Clubes, federações e entidades do futebol brasileiro criticam possíveis mudanças na regulamentação das apostas. Entidades alertam para impacto de R$ 1 bilhão e defendem fiscalização em vez de proibição.

Divulgação
Clubes do futebol brasileiro se manifestaram nesta quinta-feira (17 de setembro de 2026) contra possíveis mudanças na regulamentação das bets e dos jogos on-line pelo governo federal. A mobilização ocorre em meio a sinais de que o Executivo pode editar uma medida para proibir cassinos virtuais e impor novas restrições às apostas esportivas.
Clubes defendem manutenção do mercado regulado
Flamengo, Fluminense, São Paulo, Santos, Botafogo, Vasco e Palmeiras participaram da manifestação conjunta, que também contou com as contas oficiais dos campeonatos Paulista e Carioca e da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol. O Corinthians informou que publicará posicionamento em seu site.
Na publicação, as entidades usaram a frase “O fim do futebol brasileiro” e defenderam a manutenção do mercado de apostas dentro do modelo regulamentado. Dos 20 clubes da Série A, 13 possuem contratos de patrocínio master com casas de apostas. As agremiações estimam que uma proibição pode gerar impacto de aproximadamente R$ 1 bilhão nessa fonte de receita.
Receita sustenta projetos e estruturas dos clubes
O manifesto afirma que os recursos das empresas autorizadas ajudam a manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que ainda não possuem autonomia financeira. Entre as áreas citadas estão o futebol feminino e a formação de atletas, setores que podem ser afetados por uma queda abrupta no investimento.
As entidades argumentam que contratos e planejamentos de longo prazo foram firmados com base no marco regulatório vigente. Para os clubes, uma mudança repentina nas regras criaria instabilidade financeira e prejudicaria especialmente agremiações menores, equipes de divisões de acesso e organizações do interior com menor acesso a outras fontes de patrocínio.
Clubes reconhecem riscos sociais
O futebol reconhece os problemas sociais associados às apostas, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade. Ainda assim, clubes e federações defendem que os riscos sejam enfrentados por meio de fiscalização, prevenção, educação e mecanismos de proteção aos consumidores, sem extinguir o mercado autorizado.
No manifesto, as entidades afirmam que a regulamentação estabeleceu regras para empresas atuarem no país, recolherem impostos e combaterem práticas como acesso de menores, publicidade abusiva, lavagem de dinheiro e manipulação de competições. A tese defendida pelos clubes é de que a proibição pode empurrar parte da atividade para plataformas clandestinas, mais difíceis de monitorar.
Governo ainda não respondeu aos clubes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (16) ter disposição pessoal para acabar com as bets e comparou o endividamento provocado pelas apostas ao vício em crack. Lula destacou, porém, que pretende considerar a opinião da sociedade antes de tomar uma decisão definitiva.
Até a publicação desta reportagem, o Palácio do Planalto não havia se manifestado sobre a mobilização dos clubes. O cenário permanece aberto, mas a reação das principais entidades esportivas mostra que qualquer restrição ao mercado poderá gerar um dos maiores embates recentes entre o governo federal e o futebol brasileiro.
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