Representantes da cultura em Goiás debatem políticas públicas e concentração do setor
Encontro em Goiânia reuniu artistas, produtores, acadêmicos e gestores para discutir incentivo à arte, preservação do patrimônio, acesso cultural, polarização e visibilidade da produção regional.

Divulgação
Goiânia recebeu, nesta quinta-feira (17), representantes de diferentes segmentos da cultura goiana para discutir os principais desafios enfrentados pelo setor e defender a criação de políticas públicas mais efetivas. O encontro “Arte Pensante – Roda de Conversa sobre Políticas para o Setor Artístico”, realizado na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, reuniu experiências da academia, das artes visuais, do audiovisual, da música, da dança, da literatura e da produção cultural.
Participaram do debate a professora Flavia Maria Cruvinel, o cineasta Pedro Novaes, a escritora e jornalista Lari Mundim, o produtor cultural Vitor Cadillac, o professor de Dança Rafael Guarato, o músico e produtor Fausto Valle Jr., o artista plástico Fernando Costa Filho, o grafiteiro Bulacha e Wolney Unes, diretor da Elysium Sociedade Cultural. A mediação ficou a cargo do jornalista e professor José Abrão, com participação também do arquiteto Marcelo Safadi, um dos idealizadores da iniciativa.
Políticas públicas e acesso à cultura
As Leis de Incentivo, a preservação da memória e do patrimônio cultural e a gestão de espaços dedicados à arte estiveram entre os principais temas debatidos. Para Marcelo Safadi, as políticas culturais precisam equilibrar duas dimensões: garantir o direito de pessoas e grupos se expressarem livremente e criar mecanismos que ampliem o acesso do público às manifestações culturais. Na avaliação dele, esse equilíbrio é fundamental para transformar iniciativas isoladas em ações permanentes.
O arquiteto também destacou a importância de reconhecer o trabalho cotidiano de artistas e agentes culturais presentes nos territórios. Segundo ele, a experiência prática accumulated em projetos locais deve ser incorporada às discussões sobre o setor, aproximando a formulação das políticas públicas da realidade de quem produz cultura todos os dias.
Setor precisa acompanhar transformações
Wolney Unes, professor titular da Universidade Federal de Goiás e diretor da Elysium, alertou que a cultura costuma ser fortemente afetada em períodos de redução de investimentos. Para ele, o planejamento do setor deve considerar tanto a necessidade de preservar referenciais importantes quanto as novas possibilidades abertas pelas transformações sociais e tecnológicas.
Como exemplo, Wolney citou a trajetória da Elysium, que começou com ações voltadas à música e, ao longo do tempo, ampliou sua atuação para outras áreas, incluindo a restauração de bens tombados e projetos ligados ao patrimônio. A experiência mostra que espaços culturais podem renovar suas atividades sem abandonar sua função social e histórica.
Polarização e concentração cultural
Pedro Novaes chamou a atenção para os efeitos da polarização política sobre a produção artística. Embora reconheça que a relação entre arte e política é inevitável, defendeu uma reflexão sobre os limites dessa aproximação. Para o cineasta, o excesso de politização pode restringir o diálogo, enquanto a construção de cenários extremos sobre o futuro da cultura tende a afastar o debate de soluções práticas.
Outro ponto criticado foi a concentração das referências culturais brasileiras no eixo Rio-São Paulo. Pedro avaliou que essa centralização influencia editais, investimentos e o reconhecimento do que é considerado relevante no país. Ao citar a música sertaneja como exemplo de manifestação com ampla presença nacional, defendeu maior esforço dos produtores regionais para ampliar a visibilidade de suas obras e combater a desvalorização de outras expressões culturais.
O encontro reforçou que a cultura em Goiás possui diversidade, capacidade de renovação e presença territorial, mas ainda depende de instrumentos públicos consistentes. Para os participantes, o avanço do setor exige investimento contínuo, descentralização, preservação da memória e abertura para novas formas de produção e circulação da arte.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








