Escritora Cidinha da Silva lança livro em Goiânia
Cidinha da Silva apresenta em Goiânia sua obra de estreia pela editora Relicário. O lançamento reúne 16 ensaios sobre os desafios enfrentados por escritoras negras no mercado editorial e acontece gratuitamente no Ponto de Cultura Malunga.

Divulgação
Goiânia recebe, no sábado (12/9), o lançamento do livro “Quando Borboletas Furiosas se tornam Mulheres Negras: Nós e os Livros”, da escritora Cidinha da Silva. A atividade começa às 19h, no Ponto de Cultura Malunga, no setor Jardim América, e terá entrada gratuita.
Obra analisa barreiras enfrentadas por escritoras negras
Primeiro título da autora pela editora Relicário, o livro reúne 16 ensaios dedicados às tensões, aos desafios e às estratégias de resistência presentes na trajetória de escritoras negras no mercado editorial. A publicação integra a coleção Nos.Otras, voltada à prosa de não ficção e ao pensamento crítico produzido por mulheres latino-americanas.
A estrutura da obra é organizada em torno de três imagens: casulo, lagarta e borboleta. Cada uma delas representa uma dimensão da experiência de mulheres negras na literatura e permite à autora examinar o tema sob perspectivas complementares, unindo reflexão política, crítica cultural e análise do funcionamento do campo literário.
Do cerceamento criativo à insurgência
No fio denominado Casulo, Cidinha da Silva aborda o cerceamento da liberdade criativa e a expectativa recorrente de que escritoras negras ocupem, de forma permanente, o lugar de educadoras e responsáveis pelo letramento racial. A discussão aponta para uma limitação imposta às autoras, cujas obras muitas vezes são reduzidas a instrumentos pedagógicos, em vez de avaliadas também por sua complexidade estética e literária.
Na etapa da Lagarta, a escritora analisa as armadilhas que obrigam autoras negras a explicar e justificar continuamente aquilo que produzem. Em contrapartida, observa-se pouco debate sobre suas escolhas de linguagem, construção narrativa, estilo e técnica. Essa assimetria revela como o racismo pode influenciar não apenas o acesso ao mercado, mas também os critérios utilizados para interpretar e valorizar uma obra.
A Borboleta simboliza a insurgência. Nessa parte do livro, a ira deixa de ser tratada apenas como reação individual e se transforma em enfrentamento político e estético. O movimento proposto pela autora reforça a necessidade de reconhecer escritoras negras como produtoras de literatura em toda a sua pluralidade, e não apenas como vozes esperadas para falar sobre dor, discriminação ou representatividade.
Evento marca atuação do Clube de Leitura Malunga
O lançamento integra a programação do Clube de Leitura Malunga, criado em 2026 pelo Grupo de Mulheres Negras Malunga. A organização atua há 26 anos com iniciativas de formação e letramento racial por meio da leitura. Reconhecido como Ponto de Cultura, o Malunga amplia em Goiânia o acesso a atividades literárias e formativas conduzidas a partir das experiências de mulheres negras.
O encontro está marcado para o dia 12 de setembro, às 19h, na Rua C-161, número 1442, no Jardim América. O evento é aberto ao público e não cobra entrada, oferecendo à população de Goiânia uma oportunidade de conhecer a nova obra de Cidinha da Silva e participar de uma discussão sobre literatura, racismo e criação artística.
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