Daniel Nolasco leva vivências Lgbt do interior ao Festival de Brasília
Cineasta goiano apresenta “Pequenas tragédias” na competição do Festival de Brasília. Produzido com R$ 700 mil, o filme combina drama, humor e reflexão sobre homofobia estrutural e o deslocamento de pessoas LGBT de cidades pequenas para centros urbanos.

Divulgação
O cineasta goiano Daniel Nolasco apresenta “Pequenas tragédias” na programação do Festival de Brasília de 2026. O longa marca sua volta à disputa dos prêmios Candango e coloca no centro do debate as vivências LGBT no interior, tema que já percorria trabalhos anteriores do diretor.
Humor e drama nas vivências LGBT
Com referências que vão do traço irreverente de Tom of Finland ao cinema crítico de Rainer Werner Fassbinder, a obra mistura drama e comédia para tratar de afetividade, violência e exclusão social. Ao abordar realidades como a de Catalão, em Goiás, o filme evidencia a homofobia estrutural enfrentada por pessoas LGBT em cidades menores, sem reduzir seus personagens à dor ou ao preconceito.
A narrativa também investiga por que muitos jovens LGBT deixam cidades do interior em busca de centros urbanos. Para Nolasco, essa migração envolve não apenas a procura por liberdade e oportunidades, mas também o rompimento com ambientes familiares e sociais marcados pela intolerância. As situações amorosas e os momentos de humor ajudam a construir um retrato mais amplo e sensível dessas trajetórias.
Produção com apoio nacional e internacional
“Pequenas tragédias” foi finalizado com orçamento de R$ 700 mil. Os recursos foram viabilizados pela Lei Paulo Gustavo e por um edital destinado a documentários. A produção também contou com coprodução alemã, financiamento ligado ao Mafiz, do Festival de Málaga, e pré-vendas internacionais, demonstrando o interesse de programadores e compradores estrangeiros pelo cinema brasileiro com temática LGBT.
A passagem pelo Festival de Brasília tem significado especial para a equipe. Grande parte dos profissionais envolvidos mora em Goiânia, cidade relativamente próxima da capital federal, o que deve reunir muitos integrantes da produção durante as sessões. A expectativa é transformar a exibição em um encontro entre o público, os realizadores e as histórias representadas no filme.
Continuidade de uma trajetória autoral
O longa mantém a linguagem documental presente em obras anteriores de Nolasco, como “Paulistas” e “Mr. Leather”. Essa aproximação com personagens reais e com suas experiências permite discutir identidade, desejo e pertencimento sem abandonar o rigor estético. A obra dialoga ainda com a trajetória de cineastas pioneiros na representação LGBT, como Djalma Limongi Batista, ampliando a visibilidade de personagens historicamente ignorados pelo cinema convencional.
Novas exibições em festivais nacionais e internacionais estão previstas, mas o calendário ainda não foi divulgado. Enquanto isso, “Pequenas tragédias” chega a Brasília como uma das produções brasileiras que combinam formação regional, circulação internacional e compromisso com a diversidade.
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