Preço do diesel dispara e pressiona custos no campo e na cidade
Crise global de refino e incertezas geopolíticas elevam o custo do combustível, impactando o agronegócio e o transporte rodoviário às vésperas de eleições.

Divulgação
O preço médio do diesel S10 atingiu R$ 7,35 por litro, o maior patamar desde abril, segundo o último levantamento antes do 1º turno das eleições. A versão S10, com baixo teor de enxofre, é essencial para veículos rodoviários, máquinas agrícolas e equipamentos de construção. O diesel comum também registrou alta, chegando a R$ 6,90, valor não visto desde maio. Essa escalada ocorre em um cenário de aperto global na oferta de derivados de petróleo, com a pressão atual concentrada na capacidade de refino.
Aperto global na oferta de derivados de petróleo
A redução na produção e exportação de derivados de petróleo no Oriente Médio, Rússia e China diminuiu a disponibilidade de diesel no mercado internacional. Países importadores, como o Brasil, se veem em uma disputa acirrada por um volume menor do combustível. A situação é agravada pela dependência brasileira de importações, que representam entre 25% e 30% do consumo total. A Rússia, que antes era um fornecedor importante, restringiu suas exportações após ataques ucranianos à sua infraestrutura de refino, o que aumentou a importância dos Estados Unidos como fornecedor, respondendo por cerca de 80% do diesel importado pelo Brasil em setembro.
Impacto da demanda e possíveis restrições nos EUA
A demanda por diesel permanece alta globalmente, impulsionada pelo transporte de cargas e pelo aumento sazonal do uso no setor agrícola durante o período de colheita, especialmente nos Estados Unidos. A combinação de estoques baixos, oferta internacional reduzida e demanda elevada tem ampliado as margens de refino, fazendo com que o preço do diesel suba mais do que o próprio petróleo. Há ainda a preocupação com uma possível restrição às exportações de diesel pelos Estados Unidos, avaliada pelo governo para aumentar a oferta interna e tentar conter os preços antes das eleições de meio de mandato. Uma medida nesse sentido teria um impacto particularmente relevante para o Brasil, dada a atual dependência do mercado norte-americano.
Pressão eleitoral e medidas de contenção
A alta do diesel transcende o preço nos postos, afetando diretamente os custos de frete e, consequentemente, os preços de alimentos e outros produtos. O aumento ocorre em um momento crucial para o debate sobre custo de vida durante a campanha eleitoral. O governo federal tem buscado mitigar os efeitos da alta internacional dos combustíveis por meio de subsídios e desonerações, com um pacote atualmente em vigor estimado em R$ 7 bilhões mensais. Medidas de contenção já destinaram mais de R$ 40 bilhões desde o início da crise, demonstrando a complexidade e a sensibilidade do tema para a economia e para o cenário político.
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