Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em mais de 11%
Reajuste, o terceiro consecutivo, reflete a instabilidade no Oriente Médio e a alta do petróleo Brent, impactando diretamente os custos das companhias aéreas e a precificação das passagens.

Divulgação
A Petrobras anunciou um novo aumento no preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras. A partir desta quinta-feira (1º de outubro de 2026), o combustível terá um reajuste de 11,76%, elevando o preço médio de R$ 5,585 para R$ 6,242 por litro. Este é o terceiro aumento consecutivo aplicado pela estatal, que já havia registrado altas de 13,9% em setembro e 1,9% em agosto. Em contrapartida, os meses de junho e julho viram reduções de 14,2% e 14,4%, respectivamente.
Impacto direto nos custos das companhias aéreas
A elevação nos preços do QAV representa um desafio adicional para as companhias aéreas brasileiras. Antes do agravamento do conflito no Oriente Médio, os custos com combustível correspondiam a aproximadamente 30% a 32% das despesas operacionais do setor. Com as recentes altas, essa participação já ultrapassa os 45%, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Essa disparada nos custos levou as empresas a reavaliarem suas operações, incluindo a redução da oferta de voos e a retirada de aeronaves de maior porte de circulação em determinados períodos.
Volatilidade do mercado internacional e o QAV
A Petrobras atualiza os preços do QAV para as distribuidoras mensalmente, no primeiro dia de cada mês. Desde março de 2026, quando o conflito no Oriente Médio se intensificou, o preço médio do QAV acumula uma alta expressiva de 74%, saltando de R$ 3,592 para os atuais R$ 6,242 por litro. Essa dinâmica é impulsionada pela volatilidade do mercado internacional de petróleo. O preço do barril de petróleo Brent, referência global, superou os US$ 102 nesta quinta-feira, refletindo as tensões geopolíticas na região do Golfo Pérsico, especialmente no Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio de petróleo.
Medidas para mitigar o impacto e a abertura do mercado
Em resposta à pressão financeira sobre as distribuidoras, a Petrobras retomou em setembro um programa que permite o parcelamento dos reajustes do QAV em até três parcelas mensais. Embora a Petrobras seja responsável por cerca de 85% da produção nacional de QAV, o mercado brasileiro de combustíveis é aberto, permitindo a atuação de outros produtores e importadores. Essa estrutura, aliada às referências internacionais, faz com que o preço do QAV no Brasil acompanhe as flutuações globais, mesmo o país sendo um produtor de petróleo.
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