Número de empreendedores cai em quatro Estados em cinco anos
Levantamento do Sebrae mostra queda no número de empreendedores no Acre, Sergipe, Paraíba e Pernambuco entre o 4º trimestre de 2020 e o mesmo período de 2025. O Acre teve o maior recuo, de 28,8%, enquanto Maranhão e Alagoas registraram avanços acima de 30%.

Divulgação
O número de empreendedores caiu em quatro Estados brasileiros entre o 4º trimestre de 2020 e o mesmo período de 2025. Acre, Sergipe, Paraíba e Pernambuco registraram redução na quantidade de donos de negócios, segundo levantamento do Sebrae. O resultado revela um cenário desigual entre as regiões, com quedas concentradas no Norte e no Nordeste e crescimento expressivo em outros Estados.
Acre registra o maior recuo
O Acre teve a maior queda no período. A quantidade de empreendedores passou de 101.477 para 72.209, uma redução de 28,8%. Em números absolutos, o Estado deixou de registrar 29.268 donos de negócios na comparação entre os dois períodos.
Depois do Acre, Sergipe apresentou recuo de 6,9%. A Paraíba teve queda de 4%, enquanto Pernambuco registrou a menor redução entre os quatro Estados, com 0,9%. Apesar da variação mais discreta, o resultado pernambucano também integra o grupo de Unidades da Federação com perda de empreendedores no intervalo analisado.
Maranhão lidera crescimento
Na direção oposta, o Maranhão teve o maior avanço entre os Estados. O número de donos de negócios subiu de 750.761 para 991.307, crescimento de 32% em cinco anos. O resultado representa um aumento de 240.546 empreendedores no período.
Alagoas apareceu em seguida, com alta de 30,8%. Bahia e São Paulo empataram na terceira posição, ambos com crescimento de 25,9%. Os dados mostram que, mesmo em um quadro marcado por diferenças regionais, alguns Estados conseguiram ampliar de forma relevante a presença de pessoas à frente de negócios próprios.
Baixa renda concentra Norte e Nordeste
O levantamento também mostra diferenças relevantes na renda dos empreendedores. Em 12 Estados, pelo menos 80% dos donos de negócios recebem até dois salários mínimos por mês e são classificados como empreendedores de baixa renda. Todos esses Estados ficam nas regiões Norte e Nordeste.
O Maranhão tem a maior proporção nessa condição: 89% dos empreendedores estão nessa faixa de renda. Amazonas aparece com 87%, seguido pelo Pará, com 86%. Os números indicam que, nesses locais, grande parte dos negócios é conduzida por pessoas com menor capacidade financeira, o que pode exigir políticas voltadas a crédito, capacitação e simplificação tributária.
Na outra ponta estão os Estados da região Sul, que apresentam as menores parcelas de empreendedores de baixa renda. Santa Catarina tem 45%, Paraná registra 52% e Rio Grande do Sul, 53%. A diferença em relação ao Norte e ao Nordeste reforça a desigualdade regional no perfil econômico de quem empreende no país.
Sul lidera formalização
A formalização também acompanha esse padrão regional. Santa Catarina lidera o ranking, com 50% dos empreendedores formalizados. O Rio Grande do Sul aparece com 48%, enquanto o Paraná registra 46%.
As 15 menores taxas de formalização estão em Estados do Norte e do Nordeste. O Maranhão ocupa a última posição, com apenas 11% dos empreendedores formalizados. O Pará tem 12%, enquanto Amazonas e Amapá registram 13%.
Mulheres representam 40% no Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro tem a maior participação feminina entre os donos de negócios: as mulheres representam 40% dos empreendedores do Estado. No Acre, a proporção é a menor do país, com 27%.
O conjunto de dados evidencia que o empreendedorismo brasileiro não segue um padrão único. Enquanto o Sul combina maior formalização e menor presença de baixa renda, Norte e Nordeste concentram os indicadores mais críticos. O desafio para os próximos anos será transformar o crescimento do número de negócios em atividades mais estáveis, formais e capazes de gerar renda sustentável.
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