Mbrf completa um ano: gigante do agronegócio supera metas e expande globalmente
Um ano após a união que deu origem à MBRF, a gigante brasileira do setor de alimentos celebra resultados surpreendentes. A empresa não apenas superou as metas de sinergia antes do previsto, mas também avançou significativamente em sua expansão internacional na China e no Oriente Médio, consolidando sua posição em um cenário global desafiador.

Divulgação
A gigante MBRF completa um ano de sua formação, resultado da fusão entre BRF e Marfrig, duas das maiores potências alimentícias do Brasil. Criada com uma receita inicial próxima de R$ 152 bilhões, a empresa surgiu em um período de fortes oscilações no comércio global de carnes. No último ano, o setor enfrentou desafios como cotas reduzidas para a carne bovina brasileira na China, tarifas flutuantes nos Estados Unidos e um cenário de conflito com impacto comercial no Oriente Médio. Contudo, a MBRF não apenas resistiu, mas demonstrou uma capacidade notável de aceleração e expansão, reescrevendo o roteiro de seu próprio crescimento e surpreendendo o mercado.
Sinergias superam expectativas e chegam antes do previsto
O planejamento inicial da MBRF previa alcançar R$ 1 bilhão em sinergias somente em 2028, mas a realidade tem se mostrado muito mais dinâmica. A empresa está no caminho certo para atingir esse patamar bem antes do prazo, impulsionada por um ritmo de trabalho intenso. Somente no primeiro semestre, a MBRF já contabilizou R$ 285 milhões em sinergias, ultrapassando os R$ 608 milhões previstos para 2026. Segundo o diretor presidente da companhia, Miguel Gularte, a expectativa é de que o valor total inicialmente previsto seja superado, reflexo do trabalho conjunto pré-fusão que garantiu uma aceleração muito mais ágil no pós-fusão.
Integração de vendas impulsiona mercado doméstico
No mercado brasileiro, uma das movimentações estratégicas da MBRF foi a unificação das equipes de vendas de Marfrig e BRF no segundo trimestre deste ano. Essa integração é vista como crucial para viabilizar a oferta de produtos da Marfrig para clientes da BRF e vice-versa, ampliando significativamente o portfólio disponível para cada ponto de venda. Um exemplo claro é o estado de São Paulo, onde a BRF já possui forte presença em produtos de frango e suíno, e agora busca expandir também no segmento de carne bovina. José Ignácio Scoseria Rey, vice-presidente de Finanças, Relações com Investidores, Gestão e Tecnologia, destaca o grande potencial de alcançar os 432 mil clientes da BRF com a carne bovina, expandindo a cobertura de vendas de forma exponencial.
Expansão internacional desafia cenários complexos
Apesar dos reveses geopolíticos, a MBRF manteve firme seus planos de expansão internacional. No Oriente Médio, onde a companhia atua desde a década de 1970 (ainda como Sadia), a empresa enfrentou desafios como a insegurança nas rotas logísticas tradicionais e a alta do petróleo, que exigiram a busca por vias alternativas mais caras. Contudo, um acordo de fornecimento com o fundo saudita Salic e a estratégia de manter estoques na região foram decisivos para garantir o suprimento e as vendas. Miguel Gularte aponta que a decisão de manter estoques nos destinos, iniciada em 2024 devido a questões sanitárias no Brasil, garantiu o fluxo de produtos e, consequentemente, o atendimento à crescente demanda local, projetada para mais 23 milhões de pessoas até 2027.
No mesmo cenário de desafios, a abertura de capital da Sadia Halal, criada em parceria com o fundo soberano saudita PIF, segue inalterada, com o IPO planejado para meados de 2027 na bolsa de Riad. A empresa também está ampliando sua capacidade produtiva na região, com a adição de 15 mil toneladas em Kezad, Emirados Árabes, e 40 mil toneladas em uma nova fábrica em Jeddah, Arábia Saudita. Na China, a MBRF se alinha aos planos do país de reduzir a dependência externa de alimentos, com sua fábrica na província de Henan operando a 80% da capacidade e com projeção de chegar a 100% ainda este ano, com futuras ampliações graduais. Para além da expansão, a MBRF busca reduzir sua dívida, que era de R$ 45 bilhões ao fim do segundo trimestre, através de conversas com investidores para uma potencial emissão internacional de títulos, visando captar entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão para recomprar dívidas de 2029 e saldar compromissos de curto prazo.
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