Mais de 227 indústrias brasileiras já se instalaram no Paraguai
Empresas brasileiras têm procurado o Paraguai em busca de um regime tributário mais simples e relações trabalhistas menos burocráticas. O movimento ganhou força entre investidores de Goiás e já reúne mais de 227 indústrias instaladas no país.
O Paraguai tem atraído um número crescente de empresas brasileiras interessadas em reduzir custos, simplificar contratos e ampliar operações fora do Brasil. Marcelo Baiocchi Carneiro, presidente da Fecomércio Goiás, informou que mais de 227 indústrias do país já instalaram unidades no território paraguaio.
Incentivos fiscais atraem investidores
Entre os principais atrativos está o regime tributário paraguaio, considerado mais simples do que o brasileiro. Baiocchi destacou que o país sul-americano tem adotado políticas voltadas à captação de investimentos externos e ao aumento da produtividade, criando um ambiente favorável para novas fábricas e centros de distribuição.
Recentemente, uma comitiva com mais de 20 empresários goianos visitou Assunção para conhecer de perto as oportunidades locais. O grupo foi recebido por representantes do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, além de entidades empresariais e produtores rurais brasileiros radicados no país há décadas.
Relações trabalhistas com menos burocracia
Além dos impostos, as regras trabalhistas também aparecem como vantagem na avaliação dos empresários. Segundo Baiocchi, o Paraguai possui um sistema de contratação mais direto, sem uma carga administrativa comparável à existente no Brasil. Na visão do dirigente, os direitos dos trabalhadores são preservados, mas empregadores enfrentam menos obrigações e custos indiretos.
Ele citou a ausência de mecanismos equivalentes ao FGTS brasileiro e um sistema de férias progressivo como exemplos da diferença entre os dois modelos. Baiocchi também destacou o salário mínimo paraguaio como ponto de comparação, avaliando que o trabalhador local recebe uma remuneração competitiva em relação aos rendimentos praticados no Brasil.
Indústria têxtil registra expansão
Como exemplo do movimento, o presidente da Fecomércio Goiás mencionou uma empresa têxtil que já operava fábricas no Brasil e se instalou em Ciudad del Este há cinco anos. A unidade começou em uma área de 2 mil metros quadrados, ampliou sua estrutura e hoje possui 10 mil metros quadrados, com outros 8 mil metros quadrados em construção.
De acordo com Baiocchi, a unidade paraguaia representa 15% da produção do grupo, mas responde por 25% do faturamento. O caso tem sido usado pelo setor empresarial para ilustrar o potencial de ganho de escala e competitividade oferecido pelo mercado paraguaio.
Serviços e comércio também ganham espaço
O interesse dos investidores, porém, não se limita à indústria. Baiocchi avalia que os setores de serviços e comércio também oferecem oportunidades para empresas brasileiras que desejam se instalar no Paraguai. Ainda assim, qualquer decisão de expansão exige análise detalhada das regras fiscais, trabalhistas, logísticas e jurídicas antes da transferência de operações.
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