Petróleo recua 3%, mas Brent segue acima de Us$ 100
As cotações recuam nesta sexta-feira, mas mantêm ganhos semanais próximos de 8%. Conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, queda da oferta e riscos nas rotas marítimas sustentam a pressão sobre o mercado.

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Cotações recuam, mas ganhos semanais seguem elevados
O petróleo recua nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, mas continua operando próximo da marca de US$ 100. Às 10h30, o barril do Brent cair 3,32%, cotado a US$ 104,02. O WTI, referência dos Estados Unidos, recua 3,67% e é negociado a US$ 98,57.
Apesar da queda no dia, os dois tipos de petróleo acumulam alta de quase 8% na semana. O Brent pode registrar sua maior valorização semanal desde julho e manter-se acima de US$ 100 pela primeira vez desde maio. Na quinta-feira, a cotação chegou a ser negociada perto de US$ 108, demonstrando a intensidade da volatilidade no mercado.
Oferta e demanda são revisadas para baixo
A Agência Internacional de Energia reduziu novamente suas projeções para o mercado global de petróleo em 2026. A avaliação do organismo é de que o sistema mundial de refino opera próximo do limite, enquanto os conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia restringem a oferta e elevam os riscos para o abastecimento.
Segundo a atualização, a oferta mundial deve encerrar 2026 com uma redução de 5,7 milhões de barris por dia, queda de 6% em relação a 2025. Em agosto, a estimativa apontava retração de 4%, o que mostra a rápida deterioração das condições do mercado.
A demanda global também foi revisada para baixo. A AIE estima agora uma contração de 2,5 milhões de barris por dia neste ano, ante a projeção anterior de 1,6 milhão. A combinação entre combustíveis mais caros e disponibilidade menor de petróleo deve provocar a maior queda anual no consumo desde a pandemia.
Conflitos aumentam riscos nas rotas marítimas
A revisão das previsões ocorre em meio à continuidade da guerra envolvendo o Irã e ao agravamento das tensões em rotas essenciais para o transporte da commodity. Ataques no estreito de Ormuz e no estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, elevam os custos logísticos e o risco de novas interrupções no fluxo de petróleo.
O estreito de Ormuz é uma das principais vias de exportação de petróleo do mundo. No Mar Vermelho, os houthis, grupo apoiado pelo Irã no Iêmen, avançaram em direção a áreas costeiras próximas a Bab al-Mandeb. Ataques contra instalações de energia na Arábia Saudita também interromperam parte das operações na região.
Na quinta-feira, foram registrados relatos de que dois navios foram atingidos por projéteis não identificados a oeste de Khasab, em Omã. Episódios desse tipo reforçam a preocupação dos investidores com a segurança das rotas e com a possibilidade de choques adicionais nos preços.
Estoques perdem capacidade de amortecer o choque
A redução das reservas de petróleo representa outro fator de pressão. Os estoques de segurança vêm diminuindo e têm sido usados para equilibrar a relação entre oferta e demanda durante o atual choque energético. Com margens menores, o mercado fica mais vulnerável a qualquer interrupção adicional.
As refinarias, por sua vez, operam perto da capacidade máxima. A menor disponibilidade de petróleo, somada à limitada folga para transformar a commodity em combustíveis, pode ampliar a pressão sobre os preços nos próximos meses.
A AIE avalia que a recuperação completa dos fluxos de petróleo dos produtores do Oriente Médio deve ficar para 2027, caso os conflitos continuem. O recuo das cotações nesta sexta-feira, portanto, representa um alívio pontual, mas não elimina os fundamentos que mantêm o mercado sob tensão.
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