Juros elevados comprometem políticas industriais e competitividade, diz diretor da Abit
Fernando Pimentel, presidente emérito da Abit, alertou que os altos juros no Brasil travam investimentos e a produtividade da indústria nacional. Ele defende taxas compatíveis com o retorno dos negócios, sustentabilidade fiscal e uma política industrial robusta para combater o Custo Brasil e a concorrência global.

Divulgação
Os juros altos no Brasil têm se mostrado um grande entrave para o desenvolvimento da indústria nacional, dificultando a realização de investimentos essenciais para o aumento da produtividade e da competitividade. A avaliação foi feita por Fernando Pimentel, presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), durante o Congresso Aço Brasil 2026, um dos mais importantes eventos do setor.
Pimentel ressaltou que, no patamar atual, a taxa de juros é "impeditiva de uma competitividade que demanda investimentos para gerar produtividade e qualidade". Segundo o dirigente, mesmo as mais bem-intencionadas políticas industriais perdem sua eficácia diante de um cenário de crédito caro. Para reverter essa situação, ele aponta a necessidade urgente de o país ter uma taxa de juros alinhada com o retorno dos negócios e um programa claro de sustentabilidade fiscal, elementos cruciais para a retomada do crescimento industrial.
O impacto do Custo Brasil na produtividade
Além dos juros, Pimentel destacou o persistente problema do Custo Brasil como um gargalo significativo para a competitividade. Levantamentos recentes indicam que produzir no país custa, anualmente, cerca de R$ 1,7 trilhão a mais em comparação com a média das nações que compõem a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Esse valor expressivo representa uma carga adicional que onera as empresas e dificulta a capacidade da indústria brasileira de competir no mercado global.
Concorrência global e a necessidade de defesa comercial
O cenário para a indústria brasileira é ainda mais desafiador devido à intensa pressão da concorrência internacional, especialmente vinda de excedentes produtivos da Ásia e da China. "A indústria brasileira, de uma forma geral, está sob ataque", afirmou Pimentel, sublinhando a vulnerabilidade do setor. Para ele, é imperativo que o país adote uma defesa comercial "ágil e eficiente", que seja complementada por uma política industrial estratégica focada em mitigar o Custo Brasil e fortalecer a produção interna.
Modernização e futuro da indústria nacional
No contexto da reorganização geoeconômica mundial, a política industrial assume um papel ainda mais relevante para o desenvolvimento dos países. Pimentel enfatizou que o Brasil precisa se modernizar, aumentando sua produtividade e renovando suas cadeias produtivas. Isso inclui a incorporação de tecnologias como digitalização, inteligência artificial e uma maior integração entre os diversos setores industriais, visando um futuro mais robusto e competitivo para a economia nacional.
O Congresso Aço Brasil 2026, em sua 36ª edição, serve como palco para esses debates fundamentais. O evento reúne os principais representantes do setor do aço, especialistas e lideranças empresariais, com o objetivo de traçar perspectivas e reafirmar a importância vital da indústria para o avanço econômico e social do Brasil.
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