Custo Brasil freia siderurgia, aponta Ceo da Aperam
Rodrigo Villela, da Aperam, destaca infraestrutura precária, gás caro e guerra fiscal como entraves à competitividade da indústria siderúrgica nacional, que opera abaixo do seu potencial.

Divulgação
O alto custo Brasil é o principal entrave para o desenvolvimento e a competitividade da siderurgia nacional. A avaliação é de Rodrigo Villela, conselheiro do Instituto Aço Brasil e CEO da Aperam South America, que apontou os gargalos que impedem o setor de atingir seu pleno potencial produtivo e de mercado.
Infraestrutura e custos pesam na balança
Em sua análise, Villela detalhou que a infraestrutura deficiente do país, somada ao elevado preço do gás natural, à complexa carga tributária e à insegurança jurídica, criam um ambiente desfavorável para a indústria. Ele também mencionou a chamada guerra fiscal entre os estados como um fator que dificulta a tomada de decisões de investimento e expansão.
Capacidade ociosa e consumo abaixo do ideal
A siderurgia brasileira possui a capacidade técnica e produtiva para crescer significativamente, mas, segundo o executivo, opera aquém do que seria ideal. Atualmente, a taxa de utilização da capacidade instalada gira em torno de 65%, um patamar consideravelmente inferior aos 80% considerados saudáveis para o setor. Paralelamente, o consumo de aço por habitante no Brasil, estimado em cerca de 120 kg anuais, está bem abaixo da média mundial, que ultrapassa os 220 kg.
Competição desleal e a busca por igualdade
Villela também manifestou preocupação com o que descreve como importação desleal de aço. Ele estima que aproximadamente um terço do aço consumido no país chega por meio de importações diretas ou em produtos acabados. O CEO enfatizou que a indústria siderúrgica não busca subsídios, mas sim condições equitativas para competir em pé de igualdade com produtos estrangeiros, o que, segundo ele, impulsionaria o crescimento e a geração de empregos.
Reforma tributária como esperança de melhora
A perspectiva de retomada do crescimento econômico no Brasil é vista como um fator positivo para a demanda por aço, com projeções indicando que cada ponto percentual de crescimento do PIB pode elevar o consumo do material entre 2% e 2,5% a médio e longo prazo. Rodrigo Villela expressou otimismo quanto aos efeitos da implementação da reforma tributária, prevista para 2027, na redução do custo Brasil e na atração de novos investimentos para o setor.
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