Ex-embaixador alerta: "Se deixarmos, China vai desindustrializar o mundo"
Jorge Guajardo, que representou o México na China, soa o alarme sobre a estratégia chinesa de exportar produção excedente e a necessidade urgente de países se protegerem.

Divulgação
A capacidade da China de inundar o mercado global com produtos manufaturados representa um risco iminente de desindustrialização para outras nações, a menos que medidas de proteção sejam implementadas com urgência. Essa é a forte advertência feita por Jorge Guajardo, ex-embaixador do México na China, que atuou no país asiático entre 2007 e 2013. Segundo o diplomata, a falta de ação por parte dos governos pode levar ao desaparecimento de suas indústrias locais em um curto espaço de tempo.
A estratégia chinesa por trás da produção excedente
Guajardo apresentou seu diagnóstico durante o Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo, destacando que a política industrial chinesa, sob forte ingerência estatal, tem direcionado o excedente produtivo para o mercado internacional. A China, que enfrentou um enfraquecimento em seu motor econômico interno desde 2022, agravado por desafios demográficos e o fim do boom imobiliário, optou por não reduzir sua capacidade industrial. Em vez disso, o país asiático decidiu exportar sua produção em larga escala, utilizando inclusive países do Sudeste Asiático como plataformas para contornar barreiras comerciais diretas.
O impacto no setor automotivo e a necessidade de barreiras
O ex-embaixador citou o setor automotivo como um exemplo alarmante. A China projeta exportar 12 milhões de carros em 2026, um volume superior a todo o mercado anual europeu, mesmo com o mercado interno chinês tendo encolhido 24%. Essa disparidade evidencia a estratégia de descarregar a produção excedente no exterior. Guajardo defende a imposição de barreiras comerciais e taxas sobre produtos chineses, além do bloqueio de parcerias em linhas de montagem com países que atuam como intermediários. Ele ressalta que potências como Estados Unidos, Europa, Japão e Coreia do Sul já adotaram medidas para proteger seus mercados, e a produção excedente chinesa se concentrará nos países que mantiverem suas fronteiras abertas.
Foco na China, não em tarifas americanas
Guajardo também alertou para o risco de que a atenção global esteja excessivamente voltada para as políticas tarifárias dos Estados Unidos, desviando o foco da China. Ele aconselha os países a pararem de dar tanta atenção a figuras como Donald Trump e, em vez disso, concentrarem seus esforços em desenvolver estratégias para lidar com a China. A percepção de que a China pode ser um contrapeso aos EUA é vista como perigosa; o ex-embaixador enfatiza que a imposição de tarifas pelos EUA sobre produtos de outros países é prejudicial, mas a ausência de tarifas sobre produtos chineses é ainda pior para as economias globais.
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