Governo Lula lança Desenrola 3.0 para perdoar dívidas e estima custo de R$ 15 bilhões
O governo federal apresentou a terceira versão do programa Desenrola, que visa renegociar dívidas de famílias e prevê um perdão de até 90% do valor devido. A iniciativa pode custar até R$ 15 bilhões aos cofres públicos, com impacto previsto nas contas a partir de 2027, e busca atingir R$ 150 bilhões em débitos renegociados.

Divulgação
O governo federal lançou, nesta sexta-feira (25 de setembro de 2026), a terceira edição do programa Desenrola, batizado de Desenrola 3.0, com a ambiciosa meta de renegociar um universo de dívidas que pode alcançar R$ 300 bilhões. A iniciativa, que visa aliviar o peso do endividamento sobre milhões de famílias brasileiras, prevê um perdão mínimo de 90% do valor devido e terá um custo estimado para os cofres públicos de até R$ 15 bilhões. O programa busca alcançar a renegociação de 50% do volume total de débitos elegíveis, o que representa R$ 150 bilhões.
Estimativa de custo e volume de débitos
O valor exato que o Desenrola 3.0 custará à União será determinado em um leilão previsto para novembro, dependendo do interesse das instituições financeiras em vender suas carteiras de crédito e do deságio negociado. A medida é estratégica para o governo, que busca impulsionar a economia e a capacidade de consumo das famílias. O Desenrola 3.0 diferencia-se das versões anteriores por um mecanismo em que o próprio governo atuará na compra das carteiras de crédito das instituições financeiras, facilitando a negociação em larga escala.
Como funcionará o novo Desenrola
O programa é direcionado a famílias que possuem dívidas em atraso há, no mínimo, dois anos e, no máximo, quatro anos e meio. As modalidades de débitos contempladas incluem dívidas de cartão de crédito, tanto na forma rotativa quanto parcelada, além de crédito pessoal que não seja consignado em folha. A execução do Desenrola 3.0 poderá ficar sob a responsabilidade de uma instituição financeira federal ou do próprio Tesouro Nacional, centralizando e simplificando o processo de renegociação para os devedores. Esta abordagem promete maior agilidade e alcance em comparação com edições anteriores.
Impacto nas contas públicas
Apesar de seu caráter social e econômico, o programa de renegociação de dívidas terá um impacto primário nas contas públicas. A despesa, estimada em até R$ 15 bilhões, estará integralmente sujeita às regras fiscais vigentes no país, sem qualquer exceção que a desobrigue de cumprir os limites de gastos. A inclusão da despesa no Orçamento federal será ajustada para os próximos anos, com os recursos sendo estimados nos Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOAs) de 2027 e 2028. Isso significa que o impacto financeiro não será imediato, mas diluído nos orçamentos futuros, garantindo a sustentabilidade fiscal da União.
Lula destaca formato "melhor" do programa
Durante o anúncio oficial do Desenrola 3.0, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a superioridade desta nova versão em relação às anteriores. "No outro Desenrola, as pessoas tinham que individualmente procurar um banco. Agora, é o governo que vai comprar dívida e vai acertar a vida das pessoas", declarou o presidente. Essa mudança de abordagem, que coloca o governo como um intermediário ativo na compra das dívidas, visa desburocratizar o processo e ampliar o acesso das famílias à renegociação, facilitando a saída do ciclo de endividamento e promovendo a inclusão financeira de parcelas da população.
Contexto político e eleitoral
Coincidentemente, no mesmo dia do anúncio do Desenrola 3.0, o governo também divulgou a proibição das apostas esportivas online, as chamadas "bets", no Brasil. A proximidade das medidas com a data do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro – apenas nove dias após os anúncios – conferiu a ambas as ações um tom de estratégia eleitoral. A articulação de políticas de grande impacto social e econômico em períodos pré-eleitorais é uma prática comum, e o momento escolhido pelo governo para estas divulgações não passou despercebido por analistas do cenário político e econômico nacional.
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