Fazenda reduz projeção do PIB de 2026 e estima superávit de R$ 10,77 bi
O Ministério da Fazenda reduziu a estimativa de crescimento do PIB em 2026 para 2,0% e a projeção do IPCA para 4,9%. Com deduções legais de R$ 62,78 bilhões, o resultado primário ajustado passa de deficit para superávit de R$ 10,77 bilhões.

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O Ministério da Fazenda revisou para baixo suas projeções para a economia brasileira em 2026. A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 2,3% para 2,0%, enquanto a projeção para o IPCA, índice oficial de inflação, foi reduzida de 5,1% para 4,9%. O cenário indica uma atividade econômica mais moderada, mas com alívio imediato nos preços ao consumidor.
PIB perde força, mas agro sustenta parte do crescimento
A desaceleração projetada para 2026 vem principalmente dos serviços e da indústria. A previsão para os serviços recuou de 2,4% para 1,8%, refletindo o maior comprometimento da renda das famílias com dívidas. Já a indústria teve sua estimativa reduzida de 2,1% para 1,7%, pressionada pelo crédito caro, especialmente na indústria de transformação.
O agropecuária foi o único setor com revisão positiva. A projeção subiu de 1,8% para 2,8%, impulsionada pela safra de grãos. Para o terceiro trimestre de 2026, a Secretaria de Política Econômica espera alta de 1,8% na comparação interanual, ante 2,0% no segundo trimestre. Em 2027, o PIB deve crescer 2,3%, abaixo da estimativa anterior de 2,5%.
Inflação recua em 2026, mas pressão volta em 2027
A queda na projeção do IPCA para 2026 está relacionada às surprises baixistas nos preços de alimentos in natura e à desaceleração dos serviços. O INPC foi estimado em 5,1%, e o IGP-DI, em 5,0%. A Selic acumulada em 2026 foi projetada em 14,22%, enquanto o petróleo Brent deve fechar o ano em US$ 87,7 o barril.
Para 2027, a inflação deve voltar a ganhar força, com o IPCA estimado em 3,8%. A Fazenda aponta três fatores de pressão: um El Niño mais intenso sobre a safra de grãos, a retenção de fêmeas no ciclo de abate do gado, que pode encarecer a carne, e o aumento do custo dos fertilizantes. Para 2028 a 2030, a projeção volta ao patamar de 3,0% ao ano.
Mercado de trabalho resiste, mas renda e crédito perdem força
A taxa de desocupação reached 5,3% em julho de 2026, ou 5,4% com ajuste sazonal. A população ocupada cresceu 0,3% no trimestre encerrado em julho, mas a massa de renda real recuou 0,3% no mesmo período. O crédito total ao setor privado mantém impulso negativo de 0,6 ponto percentual do PIB em quatro trimestres, embora as concessões reais para pessoas jurídicas apresentem recuperação parcial.
Deduções legais levam resultado ajustado ao superávit
O Governo Central acumulou deficit primário de R$ 81,0 bilhões entre janeiro e julho de 2026. Nesse período, a receita líquida cresceu 5,9% em termos reais, enquanto a despesa total avançou 6,2%.
O Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do terceiro bimestre registra deficit bruto de R$ 52,01 bilhões. Após R$ 62,78 bilhões em deduções previstas em lei, o resultado para cumprimento da meta fiscal passa a superávit de R$ 10,77 bilhões. As deduções incluem R$ 55,71 bilhões em precatórios acima do limite da Emenda Constitucional 136/2025, R$ 3,55 bilhões em ações de saúde via Fundo Social, R$ 2,50 bilhões em projetos de defesa e R$ 1,03 bilhão do INSS por decisão na ADPF 1236.
Essa conversão não significa que o fluxo de caixa do governo tenha se tornado superavitário. Ela indica que, para fins de aferição da meta fiscal, as deduções legais compensam o deficit primário bruto e produzem um resultado ajustado positivo.
Mercado melhora estimativas, mas riscos externos preocupam
As expectativas coletadas pelo Prisma Fiscal também ficaram menos pessimistas. A mediana para o deficit primário de 2026 caiu de R$ 58,08 bilhões para R$ 52,27 bilhões, equivalente a 0,38% do PIB, a melhor estimativa desde dezembro de 2023. Para 2027, a previsão recuou de R$ 53,88 bilhões para R$ 45,35 bilhões. A dívida bruta do governo geral é estimada em 83,2% do PIB em 2026 e 87,0% em 2027.
Apesar da melhora nas contas projetadas, os riscos permanecem relevantes. Tensões entre Estados Unidos e Irã podem levar o Brent acima de US$ 100 o barril, com reflexos nos combustíveis. O El Niño representa o principal risco de alta para os alimentos em 2027, enquanto os juros globais seguem elevados, com retornos de 4,75% nos títulos americanos de dez anos e 5,25% nos de 30 anos.
O quadro combina crescimento mais contido, inflação ainda elevada em 2026 e melhora na leitura fiscal após deduções legais. Para os próximos anos, o desempenho do agro, o comportamento dos juros e os choques externos deverão definir o ritmo da atividade econômica e o espaço para novas decisões de política fiscal.
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