El Niño não deve pressionar preços dos alimentos em 2026, diz ministra
Ministra Fernanda Machiaveli avalia que El Niño não deve provocar alta nos alimentos em 2026. Governo aposta em safra recorde, estoques estratégicos e crescimento de outras proteínas para manter a oferta, enquanto destina recursos a regiões afetadas por seca e enchentes.

Divulgação
A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, avaliou que o El Niño não deve provocar alta generalizada nos preços dos alimentos em 2026. Para o governo, a combinação de estoques públicos, previsões de safra favorável e aumento da oferta de outras proteínas deve manter o mercado abastecido e conter pressões inflacionárias no setor.
Compra de milho reforça estoques públicos
A declaração foi feita após a Conab anunciar a compra de 191 mil toneladas de milho. O produto será usado para recompor estoques e abastecer o Programa de Venda em Balcão (ProVB), que oferece o cereal a preços acessíveis a criadores de animais do Nordeste atingidos pela estiagem. A medida também busca reduzir a dependência do mercado spot em regiões com menor disponibilidade do grão.
Preços recuam na maioria das capitais
Machiaveli destacou que os preços dos alimentos recuaram em 25 das 27 capitais pelo terceiro mês consecutivo. O governo trabalha com um cenário de estabilidade e até deflação em parte dos produtos analisados. As projeções para a safra de grãos de 2026/27 indicam crescimento da produção, o que pode ampliar a oferta interna e limitar repasses de custos ao consumidor.
Produção de carne bovina deve cair em 2027
O quadro é mais cauteloso na carne bovina. A estimativa é de redução de 3,6% na produção brasileira em 2027, influenciada pela inversão do ciclo pecuário e pela retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos. Apesar da queda, o governo espera maior disponibilidade no mercado interno no segundo semestre, com ajustes nos fluxos de exportação e aumento da oferta de frango, suínos e ovos.
O presidente da Conab, Sílvio Porto, destacou que as vendas externas de carne bovina passam por mudanças, incluindo ajustes na cota para a China e restrições no mercado europeu. Ao mesmo tempo, o crescimento das demais proteínas deve oferecer alternativas às famílias e contribuir para a estabilidade da cesta básica.
Recursos para regiões afetadas pelo clima
O governo federal também liberou R$ 64,3 milhões, por meio da Medida Provisória 1.392/2026, para ações de segurança alimentar. Mais de R$ 40 milhões serão aplicados no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na região Norte, onde a seca e a redução da navegabilidade dos rios dificultam o abastecimento.
Os recursos serão operacionalizados pela Conab para a compra de cestas básicas e o apoio à produção de comunidades tradicionais e famílias ribeirinhas. Parte dos alimentos também poderá ser direcionada ao Sul do país caso enchentes afetem populações urbanas. A estratégia busca reduzir riscos de desabastecimento sem interromper o abastecimento das áreas mais vulneráveis.
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