Brasil é citado como um dos países que se fortaleceram no choque do petróleo, diz Ceo da Shell
Wael Sawan destacou a capacidade brasileira de ampliar exportações, preservar o abastecimento interno e recorrer aos biocombustíveis durante períodos de instabilidade no mercado global de energia.

Divulgação
O Brasil está entre os países que demonstraram maior capacidade de resposta ao choque no mercado de energia. A avaliação foi feita por Wael Sawan, CEO global da Shell, durante a ROG.e, evento do setor realizado no Rio de Janeiro pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
Exportações ajudam a equilibrar demanda interna e externa
Para Sawan, a combinação entre produção de petróleo, aumento das exportações e manutenção do abastecimento no mercado doméstico colocou o país em posição privilegiada. Em um cenário de restrições aos fluxos internacionais de energia, o Brasil pôde ampliar a oferta de óleo e atuar como fornecedor relevante para outros mercados.
O executivo citou essa capacidade como exemplo de resiliência. Na visão dele, o país conseguiu atender à demanda interna sem deixar de contribuir para o abastecimento global, algo considerado essencial em momentos de tensão e menor disponibilidade de petróleo no comércio internacional.
Biocombustíveis ampliam a flexibilidade energética
Sawan também destacou os investimentos históricos do Brasil em biocombustíveis. Para ele, a existência de fontes renováveis permite substituir parte do consumo de combustíveis fósseis e reduz a dependência de uma única matriz energética. Essa diversidade dá ao país mais alternativas para enfrentar oscilações externas.
A aposta brasileira em diferentes fontes de energia criou o que o executivo chamou de “opcionalidade e flexibilidade”. Esses dois fatores permitem ajustar a resposta conforme o cenário, priorizando o mercado interno quando necessário ou direcionando volumes para exportação quando há demanda internacional.
Crise no estreito de Ormuz reforça importância da diversificação
As declarações ocorreram durante uma discussão sobre a resistência do sistema energético mundial às restrições no estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo. Sawan avaliou que países com matriz diversificada conseguem absorver melhor interrupções no fornecimento do que aqueles excessivamente dependentes de uma única fonte ou rota de abastecimento.
“Acho que tudo isso significa que o Brasil tem a opcionalidade e a flexibilidade para responder, não apenas para apoiar os brasileiros, mas também para apoiar o resto do mundo na exportação de energia”, afirmou o CEO da Shell.
A leitura favorece o Brasil, mas não significa imunidade aos efeitos de uma crise internacional. Instabilidades no mercado de petróleo ainda podem influenciar preços, investimentos e decisões das empresas. A vantagem brasileira, porém, está na capacidade de alternar entre exportação, consumo interno e fontes complementares de energia com maior rapidez.
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