Ata do Copom deixa novos cortes em aberto e aponta inflação pressionada
Documento da reunião de setembro reforça que a política monetária deve permanecer restritiva. Com inflação acima da meta e riscos inclinados para cima, o ritmo de novos cortes da Selic dependerá dos próximos dados econômicos.

Divulgação
A ata da reunião de 16 de setembro mostra que o Banco Central ainda vê espaço para novos cortes da Selic, mas sem garantir continuidade ou ritmo definido para o ciclo de alívio monetário. Na ocasião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano, de forma unânime. Foi a quinta queda consecutiva de 0,25 ponto percentual.
Inflação de demanda exige juros restritivos
O documento registra que os efeitos da política monetária contracionista sobre a atividade econômica vêm se acumulando gradualmente. Mesmo assim, o colegiado avaliou que a inflação continua pressionada pela demanda e que as expectativas permanecem desancoradas. Para o Banco Central, esse cenário exige a manutenção de juros restritivos por período suficiente para assegurar a convergência dos preços à meta.
Riscos permanecem inclinados para cima
Os riscos ao panorama inflacionário seguem elevados nos dois sentidos, mas com predominância das pressões de alta. Entre os fatores observados pelo Copom estão a possível persistência da inflação de serviços, movimentos de desvalorização do câmbio e estímulos capazes de levar a atividade econômica a crescer acima do potencial.
O cenário externo também contribui para a cautela. Conflitos no Oriente Médio e incertezas sobre a política monetária de economias desenvolvidas podem provocar oscilações nos preços de commodities e insumos, com reflexos sobre os custos internos e a trajetória da inflação no Brasil.
Próximos cortes dependerão dos dados
O Copom informou que continuará acompanhando a evolução da economia e ajustará a magnitude do ciclo de calibração dos juros conforme necessário. A decisão de reduzir a Selic foi considerada compatível com o objetivo de levar a inflação para perto da meta, mas a ata reforça que cada novo passo será condicionado aos dados econômicos e ao comportamento das expectativas.
Expectativas ainda estão acima do centro da meta
A meta de inflação é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O IPCA acumulado em 12 meses reached 4,22% até agosto. Já as expectativas do mercado apuradas pela pesquisa Focus indicam inflação de 4,9% em 2026 e 4,3% em 2027, ambas acima do centro da meta. No cenário de referência do Banco Central, a projeção para o primeiro trimestre de 2028 é de 3,2%.
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