Amil encerra negociação com Bain e Advent e segue aberta a sócio minoritário
Operadora decidiu interromper as tratativas após divergências sobre governança e valuation. Companhia mantém 3,5 milhões de clientes, espera Ebitda de R$ 2,5 bilhões em 2026 e avalia propostas que preservem o comando da administração atual.

Divulgação
Tratativas terminam sem acordo societário
A Amil encerrou as negociações com a Bain Capital e a Advent International para a entrada dos fundos em seu capital. As conversas foram interrompidas sem nenhuma mudança na composição acionária da operadora de planos de saúde, que, no entanto, continua receptiva a propostas de investidores interessados em uma participação minoritária.
A decisão foi comunicada aos funcionários nesta quinta-feira (10) pelo Conselho de Administração. Um dos principais pontos de divergência entre as partes foi o grau de influência que Bain e Advent teriam na condução da companhia. José Seripieri Filho, proprietário da Amil e presidente do conselho, buscava capital para sustentar o crescimento, mas queria preservar uma posição central nas decisões estratégicas.
Valuation e controle foram entraves
As discussões se estenderam por meses e passaram por diferentes formatos. No início, avaliava-se a venda de uma participação relevante, com a manutenção do controle nas mãos de Seripieri Filho. Posteriormente, os fundos passaram a estudar a aquisição de 100% da operadora. Essa mudança aumentou o distanciamento entre os interesses das partes.
O preço também dificultou o avanço da operação. A Amil era avaliada em cerca de R$ 17 bilhões, enquanto as propostas se aproximaram da faixa de R$ 15 bilhões a R$ 16 bilhões. Ainda existiam pendências relacionadas a passivos e garantias. Seripieri Filho chegou a considerar permanecer como acionista minoritário, mas os fundos não aceitavam mantê-lo como sócio.
Recuperação aumenta o poder de negociação
A melhora dos resultados operacionais deu à administração mais flexibilidade para recusar condições consideradas inadequadas. A companhia atende aproximadamente 3,5 milhões de clientes e trabalha com a expectativa de encerrar 2026 com Ebitda próximo de R$ 2,5 bilhões. O indicador mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
A recuperação registrada nos últimos cerca de dois anos e meio transformou a natureza da discussão. A necessidade de captar recursos deixou de ser o elemento central, dando lugar à escolha de um parceiro capaz de contribuir para a próxima etapa de expansão. Com menor urgência financeira, o controlador pode aguardar uma estrutura que respeite seus princípios e o modelo de governança atual.
IPO continua como possibilidade futura
Seripieri Filho adquiriu a Amil da UnitedHealth Group no fim de 2023, em uma operação avaliada em R$ 11 bilhões. Cerca de R$ 9 bilhões desse valor correspondiam a contingências e outros passivos assumidos pelo empresário. Desde então, a recuperação da operadora reduziu parte das pressões associadas à transação.
A possível entrada de Bain e Advent era interpretada como um passo que poderia preparar a empresa para uma futura abertura de capital. Em junho, estimava-se que a venda de uma participação minoritária pudesse movimentar cerca de R$ 10 bilhões. Embora as conversas tenham sido encerradas, o IPO continua sendo uma alternativa, desde que surja uma proposta compatível com os planos da administração.
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