Agu Jorge Messias atribui endividamento familiar à gestão Bolsonaro e defende Desenrola 3.0
O Advogado-geral da União, Jorge Messias, criticou a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro por não ter cuidado adequadamente das famílias brasileiras, associando essa inação ao aumento do endividamento durante a pandemia. Messias defendeu o Desenrola 3.0, programa de renegociação de dívidas do governo Lula, que busca aliviar a situação financeira de milhões de brasileiros. A questão do endividamento tornou-se um tema central no debate político-econômico do país.

Divulgação
O Advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, fez duras críticas à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, responsabilizando-a, em parte, pelo crescente endividamento das famílias brasileiras. Em declaração, Messias associou a difícil situação financeira dos lares à pandemia de Covid-19 e à suposta falta de assistência adequada por parte do governo anterior. Ele aproveitou a oportunidade para defender o programa Desenrola 3.0, uma iniciativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltada para a renegociação de dívidas.
Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, o chefe da AGU expressou preocupação com a fragilidade econômica vivenciada por muitos. “Muitas famílias tiveram que contrair dívidas por conta da pandemia. Perderam renda, perderam o trabalho e o governo anterior não cuidou bem das famílias brasileiras”, afirmou Messias, apontando diretamente para a necessidade de ações concretas para reverter esse cenário.
Desenrola 3.0 como resposta ao cenário de dívidas
O Desenrola 3.0, anunciado em um período estratégico que antecedeu o primeiro turno das eleições presidenciais, emerge como uma das principais apostas do atual governo para mitigar o problema do endividamento. O programa prevê que o governo federal atue na compra de dívidas de pessoas físicas que estejam em atraso há um período entre dois anos e quatro anos e meio. Isso será feito por meio de leilões com instituições financeiras, visando oferecer condições mais favoráveis para a quitação dos débitos.
A expectativa é que a medida possa impactar significativamente a vida financeira de milhões de brasileiros. Estima-se que os débitos elegíveis ao programa somem impressionantes R$ 300 bilhões. O governo almeja renegociar cerca de R$ 150 bilhões desse montante, aplicando descontos que podem chegar a 90%. Para isso, o custo estimado da iniciativa para os cofres públicos é de R$ 15 bilhões, representando um investimento robusto na recuperação econômica das famílias.
Endividamento familiar: um campo de batalha político
A pauta do endividamento familiar não apenas dominou os debates econômicos, mas também se transformou em um dos temas centrais da disputa presidencial. Enquanto o governo Lula, através de figuras como Jorge Messias, busca associar o Desenrola 3.0 a um compromisso com a recuperação financeira e o bem-estar das famílias, a oposição tem uma narrativa diferente. O então candidato Flávio Bolsonaro, por exemplo, atribuía a situação financeira dos brasileiros ao próprio governo Lula, argumentando que o aumento dos gastos públicos pressiona a inflação e mantém os juros em patamares elevados. A oposição prometia reduzir despesas governamentais e a carga tributária para baratear o custo do crédito, demonstrando a polarização do tema.
Dados alarmantes sobre a dívida das famílias
A gravidade da situação das famílias brasileiras é corroborada por dados do setor. Em um levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento familiar atingiu um recorde de 82% em julho (do ano anterior à eleição), marcando o maior percentual da série histórica iniciada em 2015. Naquele mesmo período, 29,8% das famílias já se encontravam com contas em atraso. O estudo da CNC abrange uma vasta gama de dívidas, incluindo cartão de crédito, cheque especial, empréstimos e financiamentos, evidenciando a complexidade do problema.
Ainda que em setembro (do ano anterior à eleição) tenha sido observado um leve recuo no percentual de famílias endividadas, chegando a 81,7% – o menor nível desde junho do mesmo ano –, a preocupação persiste. O tempo médio de atraso no pagamento das contas, por exemplo, aumentou para 65,3 dias, o maior patamar desde novembro do ano anterior. A pesquisa da CNC revelou que 17,3% das famílias se consideravam "muito endividadas", e alarmantes 19,4% tinham mais da metade de sua renda comprometida com dívidas, sublinhando a urgência de programas como o Desenrola 3.0.
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