Pogust pede retirada de seu nome de escritório que atua por vítimas de Mariana
Advogado, que deixou a sociedade em 2024, questiona possível cobrança de vítimas que optarem por outra representação na ação contra a BHP na Justiça britânica.

Divulgação
O advogado norte-americano Harris Pogust pediu a retirada de seu nome do PG, antigo Pogust Goodhead, escritório sediado em Londres que representa vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), na ação contra a BHP na Justiça britânica. Pogust deixou a sociedade em dezembro de 2024, mas o uso público da marca manteve o debate sobre sua associação ao caso.
Em publicação feita em 23 de setembro de 2026, Pogust criticou a possibilidade de o escritório cobrar vítimas que decidam trocar de representação jurídica. Para ele, a medida pode penalizar pessoas que confiaram seus interesses ao PG e agora desejam seguir com outro escritório. A questão ganhou relevância porque a disputa sobre quem conduzirá a defesa coletiva ocorre antes da fase de cálculo das indenizações.
Disputa entre escritórios chega à Justiça
O comitê de representantes das vítimas decidiu transferir a representação ao BGI, braço internacional do escritório norte-americano Bailey & Glassler. O PG, no entanto, questiona se o grupo tem autoridade para tomar essa decisão em nome de centenas de milhares de pessoas e submetê-las às consequências contratuais, financeiras e processuais da mudança sem uma escolha individual e informada.
Em 17 de setembro, Tom Goodhead foi contratado pelo BGI junto com quatro advogados que foram sócios do PG e outros dois ligados ao escritório. Goodhead, que deixou o Pogust Goodhead em setembro de 2025, apoiou o pedido do ex-sócio e afirmou que prepara medidas judiciais no Reino Unido. Ele também obteve no Brasil uma decisão que impede o uso do nome Pogust Goodhead no país.
PG nega vínculo com ex-fundadores
O PG informou que já planejava alterar o nome e que não pretende manter qualquer vínculo com pessoas que deixaram sua estrutura. Segundo o escritório, Pogust não participa da gestão ou das operações há aproximadamente três anos, e nenhum dos fundadores ocupa atualmente cargo administrativo na firma.
Sobre a eventual cobrança, o PG sustenta que cada cliente tem o direito de escolher seu representante. A defesa afirma que a audiência marcada para 5 e 6 de outubro em Londres será limitada à autoridade do comitê e à disputa sobre a mudança de representação. Questões sobre eventual justa causa e custos só seriam analisadas posteriormente, se necessário, conforme os contratos e as decisões judiciais.
Indenizações devem ser calculadas a partir de 2027
O Tribunal Superior de Londres considerou a BHP responsável pelo rompimento de Fundão, ocorrido em 2015 e que deixou 270 mortos. A mineradora e a Vale controlavam a Samarco, dona da estrutura. Após a definição de responsabilidade, o processo deve entrar em uma nova etapa para calcular o valor devido às vítimas.
A fase de quantificação das indenizações está prevista para começar em 2027 e pode se estender por vários anos. As estimativas atuais apontam um montante de até £ 36 milhões, equivalente a cerca de R$ 247 milhões. A definição sobre a representação jurídica terá impacto direto na condução dessa etapa e na relação entre os escritórios e as centenas de milhares de atingidos pelo desastre.
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