Caixa entra com dissídio coletivo contra impasse com bancários
Depois de nove dias de negociações sem consenso, a Caixa levou a discussão sobre o Saúde Caixa e outros pontos do acordo coletivo à Justiça do Trabalho, enquanto os bancários mantêm a greve por tempo indeterminado.

Divulgação
A Caixa Econômica Federal ajuizou um dissídio coletivo na Justiça do Trabalho para tentar resolver o impasse com os empregados do banco durante a greve nacional em andamento. A ação foi protocolada nesta quinta-feira (24 de setembro), no 15º dia da paralisação, que começou em 10 de setembro e segue por tempo indeterminado. O principal ponto de disputa é o custeio do Saúde Caixa, plano de assistência médica da categoria.
Mediação no TST termina sem acordo
A medida foi adotada após uma sessão de mediação realizada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) na quarta-feira (23), sem consenso entre as partes. A Caixa, a Contraf-CUT e a Contec participaram das negociações, que foram solicitadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). As negociações podem ser retomadas a qualquer momento, mesmo com a ação judicial em andamento.
O dissídio coletivo é utilizado quando empregadores e trabalhadores não chegam a um acordo nas negociações diretas. Com o pedido, a Caixa busca que a Justiça defina os termos do conflito, especialmente sobre o Saúde Caixa e outros pontos do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Bancários rejeitam nova proposta
Os empregados entraram em greve após mais de 90% dos participantes das assembleias rejeitarem uma proposta inicial da Caixa. Desde então, novas rodadas foram realizadas, mas a paralisação foi mantida. Na segunda-feira (21), os bancários rejeitaram pela terceira vez uma nova oferta e decidiram continuar parados.
A última proposta ampliava de 6,5% para 9% da folha de pagamento, a partir de 2027, o limite de participação da Caixa no custeio do plano de saúde. O banco também sugeriu manter o modelo solidário e o pacto intergeracional, sem cobrança diferenciada por faixa etária. Não havia previsão de reajuste nas mensalidades em 2026, período em que a Caixa assumiria o déficit do plano.
Para 2027, a contribuição dos titulares seria de 3,7% da remuneração-base. Os dependentes teriam mensalidades de R$ 560 para diretos, R$ 660 para filhos de 21 a 24 anos e R$ 900 para filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes. Consultas em pronto atendimento teriam coparticipação de R$ 120, enquanto a telemedicina continuaria sem cobrança adicional.
A proposta também incluía um prêmio extraordinário de R$ 3 mil por funcionário, condicionado ao cumprimento do Índice de Eficiência Operacional de 2026, além de alterações em regras de promoção e outros itens do acordo. Mesmo com essas mudanças, a categoria manteve a rejeição e a paralisação.
Greve continua e movimentos são definidos
O Comando Nacional dos Bancários informou que se reunirá para avaliar os próximos passos da greve. Em São Paulo, os trabalhadores da Caixa foram convocados para um ato na Avenida Paulista, a partir das 12h desta quinta-feira. O Comando de Greve deve se reunir às 17h30 para acompanhar a evolução das negociações e da ação judicial.
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