Brasil pode perder mais de Us$ 100 milhões em vendas de carne bovina premium à União Europeia
A suspensão das importações europeias deve atingir a Cota Hilton, mercado de cortes nobres com preços superiores aos do comércio tradicional.

Divulgação
O Brasil pode deixar de faturar mais de US$ 100 milhões com a venda de carne bovina premium à União Europeia caso a suspensão das importações não seja revertida. O impacto atinge especialmente a Cota Hilton, modalidade destinada a cortes nobres que exige padrões específicos de produção, rastreabilidade e controle sanitário.
Exigências sanitárias limitam acesso ao mercado europeu
A restrição foi adotada pela União Europeia em razão das exigências do bloco sobre o controle do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva. Para vender nesse segmento, a carne brasileira precisa atender a requisitos mais rigorosos do que aqueles aplicados aos cortes tradicionais, o que aumenta os custos de produção e fiscalização.
Os preços praticados na Cota Hilton podem ser até 40% superiores aos dos cortes convencionais. Apesar do volume comercializado ser menor, o valor por tonelada torna o mercado especialmente relevante para frigoríficos e exportadores especializados em produtos de maior valor agregado.
Perda estimada no período 2027/28
As regras da cota valem dentro de um ano comercial, que começa em julho e termina em junho do ano seguinte. Caso a interdição europeia se mantenha, a perda de receita no período de 2027/28 pode ultrapassar US$ 97 milhões, de acordo com a estimativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Para chegar ao valor, a entidade considera uma cota de 8,9 mil toneladas e preço médio de US$ 11 mil por tonelada. Na prática, o valor negociado pode variar entre US$ 10 mil e US$ 15 mil por tonelada, dependendo das condições comerciais e das especificações do produto.
Risco concentrado no comércio de premium
A projeção não representa necessariamente a perda de todo o comércio bovino brasileiro com a Europa. O risco mais imediato está concentrado no acesso a cortes nobres e ao mercado de carne premium, no qual o Brasil disputa espaço com produtores que já atendem integralmente às exigências europeias.
Para os exportadores, a manutenção da restrição deve reduzir oportunidades de receita e limitar a consolidação de produtos brasileiros de maior valor no continente europeu. A retomada das importações depende de avanços na comprovação do atendimento às normas sanitárias exigidas pela União Europeia.
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