Brasil tem 355 domínios de bets ilegais para cada endereço autorizado, estima Anjl
Levantamento da ANJL compara 66.482 domínios irregulares bloqueados com 187 autorizados e alerta que 17,7% dos endereços atingidos podem continuar acessíveis. A entidade teme que restrições sem fiscalização adequada ampliem a migração para o mercado ilegal.

Divulgação
Proporção usa o total de domínios bloqueados
O Brasil registra uma distância elevada entre a oferta autorizada de apostas e o volume de endereços irregulares identificados pelo poder público. A ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) calcula que existem 355 domínios de bets ilegais para cada domínio autorizado. A estimativa considera 66.482 endereços bloqueados desde janeiro de 2025 ante 187 vinculados a empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda.
A proporção, no entanto, não significa que todos esses domínios continuem ativos. Uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) indica que cerca de 11,8 mil endereços podem seguir acessíveis após as ações de bloqueio. Esse montante representa aproximadamente 17,7% do total atingido e mostra a dificuldade de eliminar plataformas que trocam de endereço ou utilizam novas páginas para manter suas operações.
Marcas trocam de endereço com frequência
O monitoramento da ANJL identificou 6.409 domínios sem autorização em funcionamento entre 11 e 18 de setembro de 2026. De junho a agosto, foram registrados, em média, ao menos 13,7 novos endereços por dia. Nos canais de mensagens acompanhados pela entidade, surgiram pelo menos cinco sites diariamente no mesmo período.
Também foram documentados 1.682 casos em que uma marca deixou de operar em determinado endereço e voltou a aparecer em outro. O movimento ilustra a estratégia usada por parte das plataformas para contornar bloqueios e dificultar a fiscalização. Cada migração pode exigir novo rastreamento e novas ordens judiciais ou administrativas para restringir o acesso.
Atuação ocorre fora dos controles do mercado regulado
Segundo a associação, as bets irregulares operam sem supervisão do poder público, deixam de recolher tributos previstos para o setor autorizado e recorrem a publicidade intensa para atrair apostadores. A exposição alcança especialmente públicos vulneráveis, incluindo crianças e adolescentes, que não possuem a mesma proteção oferecida pelas regras do mercado regulado.
Proibição pode ampliar a participação ilegal
A ANJL também simulou os efeitos de uma eventual proibição dos cassinos on-line. Na projeção da entidade, a participação do mercado não autorizado nas apostas poderia subir de cerca de 41% para aproximadamente 80%, um avanço de quase 40 pontos percentuais. Entre R$ 8,2 bilhões e R$ 19,1 bilhões por ano poderiam migrar para plataformas fora da autorização.
O impacto alcançaria a arrecadação. A estimativa aponta perda anual entre R$ 3,6 bilhões e R$ 7,4 bilhões em impostos, além de um valor adicional de R$ 7,2 bilhões a R$ 10,8 bilhões que o mercado ilegal já deixa de recolher. Os números são projeções da associação e dependem da reação dos operadores e consumidores a uma mudança na regulamentação.
Mercado regulado concentra mecanismos de proteção
Atualmente, cerca de 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do BPC (Benefício de Prestação Continuada) estão impedidos de apostar. Mais de 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão também já foram registrados no ambiente autorizado. No mercado ilegal, essas barreiras não são obrigatórias, o que reduz a capacidade de identificar e proteger usuários em situação de risco.
Para o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, o bloqueio de domínios reduz o acesso a parte das plataformas, mas não elimina a oferta. “O site ilegal não vai sumir com uma medida provisória. Pelo contrário, será o melhor ambiente para atuação dessas empresas”, afirmou. O desafio apontado pela entidade é combinar regras claras, arrecadação e fiscalização capaz de acompanhar a rápida substituição de endereços.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








