Novos critérios para doação de sangue ampliam elegibilidade no Brasil
As regras para doação de sangue no país foram atualizadas, permitindo que idosos acima de 70 anos, que são doadores regulares, possam continuar contribuindo. Além disso, os prazos de inaptidão temporária foram reduzidos para quem fez tatuagens, piercings e certos procedimentos médicos, visando aumentar a captação de doadores e manter os estoques em dia.

Divulgação
O Brasil implementou recentemente novas diretrizes para a doação de sangue, uma medida que promete ampliar significativamente o número de doadores aptos e otimizar a captação de bolsas em todo o território nacional. Estabelecidos por uma recente portaria, os critérios atualizados buscam modernizar as normas hemoterápicas, alinhando-as às melhores práticas e evidências científicas, sem comprometer a segurança do doador e, principalmente, do receptor.
As mudanças, que já estão em vigor, foram adotadas por instituições como a Fundação Pró-Sangue e representam um avanço crucial para o sistema de saúde. A principal inovação reside na flexibilização de requisitos que antes excluíam uma parcela considerável de potenciais doadores, abrindo portas para uma maior participação da sociedade em um gesto que salva vidas. A revisão dos períodos de inaptidão temporária também é um ponto chave, permitindo que muitas pessoas retornem à doação em um intervalo de tempo mais curto.
Idade não é mais um impedimento absoluto
Uma das alterações mais impactantes diz respeito à idade dos doadores. Agora, pessoas com mais de 70 anos poderão se candidatar à doação de sangue, desde que sejam consideradas doadores de repetição – ou seja, aquelas que já contribuíam habitualmente com a causa. Esses doadores, mesmo com idade avançada, passarão por uma avaliação médica rigorosa no local da doação para garantir sua plena condição de saúde e a segurança do procedimento. Anteriormente, a idade limite era um fator eliminatório, e a nova regra reconhece a vitalidade e a disposição de muitos idosos em continuar ajudando.
Prazos reduzidos para tatuagens e piercings
Para aqueles que realizaram tatuagens, maquiagem definitiva, micropigmentação ou acupuntura, as novas regras trazem um alívio. Se os procedimentos foram feitos em um estabelecimento apropriado, que segue todas as normas de segurança, com assepsia correta e uso de material descartável, o período de inaptidão temporária é de apenas 7 dias. Caso contrário, o prazo permanece em 4 meses. Para piercings ou brincos, a regra é similar: 7 dias se em local sem mucosa, com material descartável e em estabelecimento adequado; 4 meses se as condições não forem ideais. Se o piercing for em local com mucosa, a doação poderá ser feita 4 meses após sua retirada.
Outras inaptidões temporárias revisadas
Diversos outros períodos de espera também foram revisados. Procedimentos como endoscopia, colonoscopia e outros exames endoscópicos agora exigem uma espera de 4 meses. Para casos de resfriado comum, basta aguardar 3 dias após o desaparecimento dos sintomas. Se a pessoa teve gripe associada à febre (temperatura acima de 38ºC), o prazo de inaptidão é de 2 semanas após o fim dos sintomas. Situações com maior risco de adquirir Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) requerem um período de 4 meses de espera. Em relação a tratamentos odontológicos, a extração dentária ou tratamento de canal demandam 7 dias de espera, dependendo do medicamento utilizado, enquanto cirurgia odontológica com anestesia geral exige 4 semanas.
Vacinas e condições de saúde específicas
As vacinas também tiveram seus prazos atualizados: para sarampo ou dengue, a espera é de 4 semanas; para gripe, 48 horas; e para a vacina contra a Covid-19, 7 dias. Viajantes que retornam de regiões com surto de febre amarela ou alta prevalência de malária devem esperar 30 dias. Quanto a doenças mais graves, como câncer do sistema hematopoiético (leucemias e linfomas) ou melanoma, o impedimento à doação permanece. Contudo, para outros tipos de câncer, o candidato poderá se voluntariar 5 anos após a cura ou remissão completa, sujeito a avaliação médica rigorosa no local.
É fundamental ressaltar que a triagem clínica continua sendo uma etapa crucial do processo de doação. A avaliação individual de cada candidato, considerando seu histórico de saúde e condições atuais, é o que garante a segurança tanto de quem doa quanto de quem recebe o sangue. Essas atualizações buscam, acima de tudo, facilitar a participação cidadã na doação, um ato de solidariedade que mantém os bancos de sangue abastecidos e prontos para atender emergências e tratamentos contínuos.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








