MG: candidata do Pt recebe ameaças racistas de morte e estupro
A candidata petista Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, recebeu por e‑mail mensagens racistas contendo ameaças de morte e estupro. O caso foi registrado como ameaça e injúria racial, e a campanha classificou o episódio como crime de violência política de gênero.

Divulgação
Na manhã de sábado (5/9), a candidata a deputada federal por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, natural de Divinópolis, recebeu por e‑mail mensagens com teor racista que incluía ameaças explícitas de morte e de estupro. O remetente se apresentou como integrante de um grupo supremacista branco, citou nome completo, endereço e número de telefone da vítima, afirmando que também poderia atacar seus familiares caso ela continuasse na disputa eleitoral.
Ameaças racistas e de estupro
As mensagens, parcialmente reproduzidas no Boletim de Ocorrência, trazem linguagem de ódio racial, referências a ideologias neonazistas e declarações de que a candidata deveria ser “retirada da política” por ser mulher negra. Segundo a própria Ana Elisa, esse não foi o primeiro contato desse tipo; ela já havia recebido outro e‑mail com conteúdo semelhante semanas antes, o que aumentou a sensação de perseguição.
Boletim de ocorrência e classificação
O registro feito na 142ª Companhia da Polícia Militar classificou o fato como ameaça (art. 147 do Código Penal) e injúria racial, com natureza secundária de injúria racial e meio eletrônico (internet ou SMS). A candidata compareceu à base comunitária móvel, apresentou prints das mensagens e relatou que as ameaças tinham o objetivo de intimidá-la e afastá‑la da campanha. As autoridades já iniciaram diligências para identificar o autor, preservando provas para não prejudicar a apuração.
Posicionamento da campanha e medidas jurídicas
A assessoria jurídica da campanha, por meio de um parecer técnico assinado pela Dra. Maria Júlia A. Alvim (OAB/MG 240.536), afirmou que o episódio não se enquadra em debate político, mas caracteriza crime de ameaça, racismo e violência política de gênero, prevista na legislação eleitoral quando a agressão busca impedir a participação de mulher por motivo de gênero, ainda que associada à violência racial. A equipe pede que não se reproduza o conteúdo das mensagens, coloca‑se à disposição de outras candidatas que tenham sofrido intimidativas semelhantes para troca de informações e reforça que a internet não é território de impunidade, já que registros técnicos podem permitir a identificação de quem utiliza o anonimato para ameaçar.








