Estudo sugere relação do xilitol com aumento de doenças cardiovasculares
Pesquisa apresentada no Congresso de Cardiologia da ESC indica que níveis elevados de xilitol no sangue estão associados a maior risco de infarto e AVC, mesmo após ajuste para fatores de risco tradicionais.

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O xilitol, conhecido também como álcool de açúcar, é um adoçante natural muito usado por quem busca reduzir a ingestão calórica, já que contém cerca de 40 % menos calorias que o açúcar convencional. Apesar da percepção de ser uma alternativa saudável, um estudo recente levantou dúvidas sobre seus efeitos no sistema cardiovascular.
Dados do estudo canadense e europeu
A pesquisa, apresentada no Congresso de Cardiologia da ESC, analisou dados de 17.710 participantes do Estudo Longitudinal Canadense sobre Envelhecimento e da Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer (EPIC‑Norfolk). Os resultados mostraram que indivíduos com níveis mais altos de xilitol no sangue apresentavam cerca de 57 % mais risco de morte em decorrência de infarto ou acidente vascular cerebral em comparação com aqueles que mantinham concentrações baixas.
Mesmo após ajustar as análises para idade, sexo, índice de massa corporal, hipertensão, diabetes e obesidade, a associação permaneceu significativa. Em um acompanhamento de até 30 anos, os voluntários do EPIC‑Norfolk com concentrações elevadas do adoçante tiveram 18 % mais probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares ao longo do tempo.
Possíveis mecanismos e limitações
Os autores ressaltam que o estudo não determina se os níveis elevados de xilitol no sangue são consequência do consumo do adoçante ou de produção endógena a partir do metabolismo da glicose. Trabalhos anteriores, como o conduzido pelo Hospital Universitário de Charité, em Berlim, sugeriram que o xilitol pode favorecer a formação de coágulos, mas ainda há lacunas no entendimento dos mecanismos exatos.
Diante desses achados, especialistas recomendam cautela no uso excessivo de xilitol, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular pré‑existentes, e destacam a necessidade de mais pesquisas clínicas para esclarecer a relação entre esse adoçante natural e a saúde do coração.







