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Byd se aproxima da liderança no mercado brasileiro com avanço recorde

Fabricante chinesa emplacou 24.441 veículos em agosto, reduzindo a diferença para a Chevrolet e superando Hyundai e Toyota. Estratégia de vendas no varejo impulsiona crescimento.

Wanessa·
Byd se aproxima da liderança no mercado brasileiro com avanço recorde

A BYD consolidou sua posição como uma das principais forças do mercado automotivo brasileiro ao emplacar 24.441 automóveis e comerciais leves em agosto, segundo dados consolidados pela Bright Consulting. Com esse desempenho, a marca chinesa encerrou o mês como a quarta fabricante mais vendida do país, superando marcas tradicionais como Hyundai e Toyota e reduzindo a distância para a General Motors, terceira colocada no ranking.

Mercado aquecido e expansão acelerada

O mercado brasileiro de veículos leves totalizou 262.052 emplacamentos em agosto, alta de 22% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 214.769 unidades. A expansão reflete um cenário de retomada do consumo e de maior diversificação na oferta de modelos, especialmente entre as fabricantes chinesas, que vêm ganhando espaço de forma consistente.

Varejo impulsiona a BYD, enquanto GM depende de vendas diretas

A estratégia comercial da BYD tem se mostrado decisiva para seu crescimento. Apenas 26,7% de seus emplacamentos vieram de vendas diretas — que incluem frotistas, locadoras e governos — enquanto 73,3% foram realizados por meio de concessionárias. Isso resultou em 17.923 veículos comercializados no varejo, volume 38% superior ao da Chevrolet, que emplacou 12.928 unidades no mesmo segmento.

Enquanto isso, a General Motors, terceira colocada no ranking, teve 53% de suas vendas concentradas em canais diretos, totalizando 27.504 emplacamentos. A diferença entre BYD e Chevrolet caiu para 3.063 unidades, um indicativo de que a chinesa avança não apenas em volume, mas também na preferência do consumidor final.

Modelos elétricos ganham tração no topo das vendas

A BYD emplacou dois de seus modelos no top 10 nacional: o Dolphin Mini, quinto colocado com 8.299 unidades, e o Dolphin, em nono lugar com 6.740 emplacamentos. O compacto elétrico menor mais que dobrou seu desempenho em relação a agosto de 2025, quando já começava a disputar espaço com os hatches flex tradicionais. A marca ainda deve lançamentos importantes nos próximos meses, incluindo versões híbridas que prometem ampliar ainda mais sua participação.

Hyundai e Toyota reagem, mas não alcançam o ritmo chinês

A Hyundai, quinta colocada com 17.017 unidades emplacadas, registrou alta de 2,1 pontos percentuais em participação de mercado, impulsionada pelo Creta — sétimo colocado geral com 7.354 unidades — e pelo HB20, que voltou ao top 15. A marca sul-coreana, no entanto, ainda ficou 7.424 unidades atrás da BYD, com apenas 6.938 unidades vendidas no varejo, menos da metade do volume da chinesa.

Já a Toyota, sexta colocada com 13.561 emplacamentos, não conseguiu sustentar o ritmo do Yaris Cross, seu principal lançamento de 2026. Mesmo com boa aceitação nas versões híbridas, a japonesa não conseguiu conter o avanço das concorrentes, especialmente no segmento compacto.

Fiat e Volkswagen lideram, mas chinesas já representam 23% do mercado

No topo do ranking, a Fiat manteve a liderança com 48.427 emplacamentos e 18,5% de participação, enquanto a Volkswagen fechou o mês em segundo lugar com 41.403 unidades (15,8%). A Strada, da Fiat, foi o carro mais vendido, com 13.796 unidades, seguida pelo Polo (10.472) e Tera (10.338), da Volkswagen. Ambos os fabricantes ainda dependem fortemente de vendas diretas, com 67,1% e 62,2% de seus emplacamentos oriundos desse canal.

As marcas chinesas, no entanto, já respondem por 23,1% de todas as vendas no país, um avanço significativo em relação aos 22,7% registrados em julho. O crescimento é puxado pela expansão dos veículos eletrificados: elétricos e híbridos somaram 63.709 unidades em agosto, representando 24,3% do mercado — mais que o dobro dos 24.755 emplacamentos do mesmo período em 2025. Apenas na primeira quinzena do mês, os eletrificados já haviam alcançado participação inédita nas vendas nacionais.

Outras chinesas ganham espaço no top 10

A disputa pelo sétimo lugar foi acirrada: a GWM emplacou 9.825 unidades, apenas 41 a mais que a Renault (9.784). Honda (9.678) e Jeep (9.027) completaram o top 10, mostrando como o mercado está cada vez mais competitivo. A Geely, com 7.525 emplacamentos, destacou-se pelo EX2, que sozinho vendeu 5.805 unidades, consolidando a força dos compactos elétricos entre os consumidores.

Entre as 15 primeiras marcas, cinco são de origem chinesa: BYD, GWM, Geely, Caoa Chery e Omoda Jaecoo. Se consideradas apenas as fabricantes que ingressaram recentemente no mercado brasileiro, são quatro marcas chinesas, além da Caoa Chery, que já produz localmente há mais tempo. Essa ofensiva reflete uma estratégia agressiva de internacionalização, com foco em modelos eletrificados e preços competitivos.

Perspectivas para o futuro

No acumulado de janeiro a agosto, o mercado atingiu 1.883.332 emplacamentos, crescimento de 19,3% sobre o mesmo período de 2025. O varejo continua sendo o principal motor dessa expansão, com alta de 23,4% nas vendas em concessionárias, contra aumento de 15,2% nos canais diretos. É nesse ambiente que as fabricantes chinesas começam a transformar participação de mercado em uma ameaça concreta às marcas tradicionais, especialmente no segmento de veículos elétricos e híbridos, onde já lideram.

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