Morre Claudio Carsughi, referência do jornalismo automotivo brasileiro
Italiano radicado no Brasil desde a adolescência, Claudio Carsughi morreu aos 93 anos após 27 dias internado por causa de uma infecção respiratória. Ele acompanhou por sete décadas a evolução dos veículos no país e se tornou uma das principais referências do jornalismo automotivo nacional.

Divulgação
Claudio Carsughi morreu aos 93 anos, após passar 27 dias internado em razão de uma infecção respiratória. A notícia foi confirmada por sua filha, a jornalista Claudia Carsughi. Italiano de nascimento e radicado no Brasil desde a adolescência, ele construiu uma trajetória de sete décadas dedicada aos automóveis, ao esporte e ao jornalismo especializado.
Uma carreira iniciada ainda na juventude
Nascido em Arezzo, na Itália, em 13 de outubro de 1932, Carsughi mudou-se para Florença ainda menino e veio para o Brasil com a família em 1946. Estabelecido em São Paulo, estudou no Colégio Dante Alighieri e formou-se em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. A formação técnica ajudaria a construir o olhar rigoroso que marcou sua atuação na imprensa.
O contato com o jornalismo começou cedo. Aos 17 anos, já escrevia para o Corriere dello Sport como correspondente no Brasil. Em 1950, acompanhou os bastidores da primeira Copa do Mundo realizada no país. Ao longo da carreira, colaborou com publicações italianas e brasileiras, consolidando-se também como cronista esportivo.
Da rádio aos testes técnicos de automóveis
Em 1957, Carsughi iniciou sua relação com a Rádio Panamericana, futura Jovem Pan. Na emissora, comentou futebol, Fórmula 1 e assuntos ligados à indústria automobilística em uma época em que as corridas ainda não eram transmitidas pela televisão. A parceria com o grupo atravessou quase seis décadas, com interrupções pontuais.
Sua principal referência no jornalismo automotivo foi construída na revista Quatro Rodas, onde ingressou em julho de 1975. Ao lado de Emilio Camanzi, então chefe de reportagem, passou a cuidar da área técnica e das avaliações de veículos. Em um período sem instrumentos digitais portáteis e sem a quantidade de dados disponível atualmente, cada teste exigia medição, cronometragem, comparação e interpretação cuidadosa.
Durante os 15 anos em que permaneceu na publicação, Carsughi acompanhou uma fase decisiva da indústria nacional. Teve contato direto com engenheiros, projetistas, executivos e pilotos enquanto veículos que entrariam para a história começavam a circular nas ruas brasileiras. Foi o primeiro jornalista a conhecer e testar o Volkswagen Gol e, décadas depois, também acompanhou a despedida do modelo.
Presença em várias gerações da mídia
Além dos automóveis, Carsughi manteve intensa atividade esportiva. Comentou cinco Copas do Mundo consecutivas pela Pan, entre 1970 e 1986, e passou por emissoras como Bandeirantes e Record. Na televisão, trabalhou na ESPN Brasil e no SporTV, abordando futebol, Fórmula 1 e motociclismo. Mais tarde, também integrou a Rádio Nacional e a TV Brasil.
Depois de deixar a Quatro Rodas, em 1990, seguiu na imprensa especializada como editor executivo da revista Oficina Mecânica e participou da criação da Auto&Técnica. Em 1992, a convite da Ferrari, visitou Maranello e pilotou uma Testarossa no circuito de Fiorano. Retornou à fábrica italiana em 2011, quando guiou uma Ferrari California.
Legado de rigor e didatismo
A adaptação de Carsughi às mudanças da comunicação reforçou sua longevidade profissional. Em 2012, criou com a filha o Site do Carsughi, dedicado a automóveis, automobilismo, futebol e turismo. Posteriormente, também produziu conteúdo para o UOL, levando sua experiência do impresso, do rádio e da televisão para o ambiente digital.
Sua importância está na combinação entre conhecimento técnico, curiosidade e capacidade de traduzir informações complexas para o público. Carsughi testemunhou a evolução dos motores, da segurança, da eletrônica embarcada e da eletrificação, sempre buscando explicar não apenas o funcionamento dos veículos, mas também seu significado para a sociedade.
Casado com Hilda Carsughi, falecida em 2009, ele deixa dois filhos, Claudia e Odoardo. Sua trajetória ajuda a contar a história do automóvel no Brasil e de uma forma de fazer jornalismo baseada em apuração, precisão e convivência direta com os temas sobre os quais se escreve.
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