Whey protein transforma cadeia de lácteos e valoriza soro do leite
A procura por alimentos ricos em proteínas aumenta o valor do soro do leite e provoca investimentos na indústria brasileira de lácteos, ainda dependente de ingredientes importados como WPC e WPI.

Divulgação
A procura por alimentos mais proteicos e práticos está provocando uma mudança importante na indústria de lácteos. Produtos antes voltados principalmente ao público que frequenta academias ganharam espaço em diferentes perfis de consumo, aumentando a demanda por ingredientes derivados do soro do leite e, principalmente, pelo whey protein.
Soro do leite deixa de ser subproduto secundário
No centro dessa transformação está o soro do leite, obtido durante a fabricação de queijos. Durante anos, o material teve valor comercial relativamente baixo e, em alguns casos, era tratado como resíduo. Com o crescimento dos suplementos e de alimentos enriquecidos com proteínas, passou a ser visto como matéria-prima estratégica para a produção de concentrados e isolados proteicos.
O Brasil é um grande consumidor desses ingredientes, mas ainda depende de importações para atender parte relevante da demanda. Entre os produtos mais procurados estão o WPC, ou whey protein concentrado, e o WPI, conhecido como whey protein isolado. A diferença entre eles está principalmente no grau de concentração proteica e no processo utilizado para remover gordura, lactose e outros componentes do soro.
Preços sobem e produção nacional deve receber investimentos
A valorização ocorreu também no mercado internacional. Levantamento da consultoria StoneX indicou que o preço do WPC80, concentrado com 80% de proteína do soro do leite, quase triplicou nos Estados Unidos. Ingredientes mais sofisticados e com maior teor proteico tendem a apresentar maior valor agregado, pressionando custos e ampliando o interesse por capacidade produtiva própria.
Para a cadeia leiteira brasileira, o cenário cria oportunidades e desafios. Produtores e indústrias podem ganhar com o aproveitamento mais eficiente do soro, agregando valor a uma matéria-prima já presente na fabricação de queijos. Ao mesmo tempo, será necessário investir em tecnologia, escala e qualidade para reduzir a dependência externa e acompanhar uma demanda que deixou de ser um nicho dentro do setor de alimentação.
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