Preço da soja sobe no Brasil, mas plantio da safra segue lento
A saca da soja teve ganhos em boa parte do Brasil nesta terça-feira (22/9), impulsionada pelo atraso no plantio. No entanto, a produção ainda ocupa apenas 0,5% da área esperada até a data, abaixo da média histórica.

Divulgação
O preço da soja apresentou alta na maior parte do Brasil nesta terça-feira (22/9), em um movimento distinto do registrado na Bolsa de Chicago. Enquanto os contratos internacionais da oleaginosa fecharam em queda, o mercado doméstico recebeu apoio do avanço dos custos de base e do menor ritmo de implantação da nova safra.
Principais cotações no mercado nacional
No porto de Paranaguá, o indicador Cepea/Esalq registrou a saca de 60 quilos a R$ 161,93, alta de 0,25% no dia e de 1,56% no acumulado de setembro. Entre as 38 regiões acompanhadas pela consultoria AgRural, 19 registraram valorização. Dez praças ficaram estáveis e nove registraram queda.
Os maiores avanços diários, de aproximadamente R$ 2 por saca, ocorreram em Uberlândia e Uberaba, no interior de Minas Gerais. Já os menores resultados apareceram em São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, e em São Luís e Palmas, no Maranhão e no Tocantins, respectivamente. Em Rio Verde, município goiano, a saca foi cotada a R$ 151.
Plantio abaixo da média histórica
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que o plantio da safra 2026/27 continua abaixo da série histórica. Embora o calendário tenha avançado em estados como Goiás e Rio Grande do Sul e a semeadura tenha começado em regiões como Paraná e Mato Grosso, apenas 0,5% da área prevista havia sido plantada até 18 de setembro. O patamar fica abaixo dos 0,9% registrados, em média, para este período nos últimos cinco anos.
O atraso na abertura das lavouras tende a sustentar a procura por grãos disponíveis no curto prazo e a influenciar a diferença entre os preços regionais. Ainda assim, a leitura do mercado permanece dependente do progresso das semeaduras nas próximas semanas, das condições climáticas nas áreas produtoras e da definição do volume que será ofertado ao mercado externo.
EUA e China acompanham negociações
Em Chicago, os contratos de soja para novembro perderam 0,19% e fecharam a US$ 13,2550 por bushel. O cenário internacional segue atento às conversas entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, com expectativa de possíveis announcements que possam facilitar o comércio entre os dois maiores mercados do setor.
Para os produtores, a combinação de preços internos mais firmes e plantio atrasado aumenta a importância do momento de venda. Quem ainda possui estoque pode avaliar a liquidez disponível, mas o calendário agrícola e as projeções de oferta continuam decisivos para orientar as operações até o início da safra.
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