Usda contraria expectativas e eleva previsão para safra de soja nos EUA
Projeção americana para a safra 2026/27 ficou acima do esperado pelo mercado, enquanto o USDA manteve os números do Brasil. Relatório também trouxe ajustes para milho e trigo.

Divulgação
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou sua previsão para a produção de soja nos Estados Unidos na safra 2026/27, contrariando a expectativa de redução divulgada pelo mercado. A estimativa para a colheita americana passou a 123,42 milhões de toneladas, alta de 0,3% em relação ao relatório de agosto.
Produção americana supera o esperado
Analistas aguardavam uma queda para 123,42 milhões de toneladas, mas o USDA apontou 122,5 milhões de toneladas. O aumento da produtividade e da área colhida justificou a revisão positiva. Com mais oferta disponível, os preços da oleaginosa recuaram 1,8% na Bolsa de Chicago.
A demanda também foi revista para cima. As exportações americanas de soja devem alcançar 45,86 milhões de toneladas, crescimento de 1,5% frente à projeção anterior. Mesmo com esse avanço, os estoques finais dos EUA foram reduzidos em 3,2%, para 8,43 milhões de toneladas, volume ainda superior aos 7,92 milhões esperados pelos analistas.
Brasil mantém posição de destaque
O USDA não alterou as projeções para o Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja. A safra brasileira permanece estimada em 186 milhões de toneladas, com embarques previstos em 118 milhões de toneladas. A Argentina deve colher 50 milhões de toneladas, sem mudanças em relação ao relatório anterior.
A China, principal compradora internacional, também manteve sua previsão de importações em 115 milhões de toneladas. No conjunto global, a produção de soja ficou estável em 442,35 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais foram ligeiramente reduzidos de 124,21 milhões para 124,02 milhões de toneladas.
Milho tem revisão para baixo
O relatório também reduziu a estimativa mundial de produção de milho para 1,290 bilhão de toneladas, queda de 0,61% em relação a agosto. Os estoques finais globais foram ajustados para 272,1 milhões de toneladas, recuo de 0,93%, enquanto as exportações permaneceram em 210 milhões de toneladas.
Nos Estados Unidos, a produção deve chegar a 401 milhões de toneladas, 1,33% abaixo da projeção anterior. Os estoques finais foram reduzidos para 39,7 milhões de toneladas, e o consumo interno caiu para 151,1 milhões de toneladas. As exportações americanas seguem estimadas em 83,1 milhões de toneladas.
Para o Brasil, a produção de milho foi mantida em 139 milhões de toneladas, mas as exportações foram reduzidas para 43 milhões de toneladas. A Argentina deve produzir 55 milhões de toneladas e exportar 38 milhões. A China mantém a previsão de 307 milhões de toneladas produzidas e 5 milhões de toneladas importadas.
Trigo registra estoques elevados
O USDA projeta produção mundial de trigo em 822,43 milhões de toneladas, alta de 0,38% em relação a agosto. Os estoques finais globais devem crescer 3 milhões de toneladas e alcançar 276,3 milhões, em um cenário de maior produção e redução do comércio internacional.
A estimativa para o Brasil caiu 1,6%, para 6 milhões de toneladas, e as exportações foram zeradas. A Argentina deve produzir 21,5 milhões de toneladas e exportar 15,5 milhões. Nos Estados Unidos, a produção permanece em 41,66 milhões de toneladas.
As exportações da Rússia e da Ucrânia foram reduzidas por causa dos baixos volumes embarcados em agosto e das dificuldades logísticas no Mar Negro, agravadas pela guerra regional. A Rússia deve exportar 43 milhões de toneladas, e a Ucrânia, 12,5 milhões.
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