Soja fecha em baixa em Chicago à espera de reunião entre Trump e Xi
A soja recuou na Bolsa de Chicago diante da ausência de avanços comerciais entre Estados Unidos e China. Vendas menores de soja chinesas e a colheita americana pressionaram o mercado, enquanto o Brasil mantém prêmios de exportação elevados.

Divulgação
A soja fechou em baixa nesta quinta-feira (24/9) na Bolsa de Chicago, com os investidores aguardando sinais da reunião entre os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Xi Jinping, da China. O contrato de novembro, o mais negociado, caiu 0,04% e foi cotado a US$ 13,17 por bushel, próximo da estabilidade. Para janeiro de 2027, o recuo foi de 0,13%, com o grão valorizado a US$ 13,32.
Compras chinesas ficam abaixo do esperado
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou vendas líquidas de 311,8 mil toneladas de soja para a China entre 11 e 17 de setembro. O volume ficou bem abaixo das 875,3 mil toneladas registradas na semana anterior. A divulgação contribuiu para que o mercado devolvesse os ganhos obtidos na abertura e encerrasse o pregão no vermelho.
Como compras acima de 100 mil toneladas são divulgadas pelo USDA no mesmo dia, a ausência de operações maiores já indicava que o resultado seria limitado. A expectativa era de que o encontro entre Trump e Xi pudesse antecipar novas aquisições, mas nenhum anúncio relevante foi feito até o fechamento em Chicago.
Colheita americana e dólar ganham peso
Sem novas definições comerciais, o mercado volta a concentrar sua atenção no avanço da colheita nos Estados Unidos e nos rumos da política monetária americana. A possibilidade de elevação das taxas de juros pode influenciar o dólar e, consequentemente, os preços das commodities. Uma moeda americana mais forte tende a dificultar as exportações dos grãos produzidos no país.
O consultor Vlamir Brandalizze avalia que a China pode sinalizar compras adicionais em outro momento, mas não necessariamente durante esse encontro. Além da soja, os líderes precisam discutir temas sensíveis, como inteligência artificial, energia e terras raras, o que pode deixar a pauta agrícola em segundo plano.
China mantém acordo, mas compra mais do Brasil
Estados Unidos e China já contam com um acordo que prevê a compra de 25 milhões de toneladas de soja americana na safra 2026/27. Segundo Brandalizze, as operações seguem em ritmo normal e já somam aproximadamente 13 milhões de toneladas.
Um volume adicional poderia favorecer os produtores americanos, que se preparam para colher uma safra recorde. A China, no entanto, tem comprado menos dos Estados Unidos do que poderia, mantendo participação expressiva no mercado brasileiro. Essa demanda ajuda a sustentar os diferenciais de exportação no Brasil.
Soja brasileira segue com prêmios elevados
Os prêmios nos portos brasileiros estão entre US$ 1,35 e US$ 1,40 acima do preço praticado em Chicago. A valorização do dólar também favorece a formação dos preços da soja nacional. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com base no Porto de Paranaguá, acumulava alta de 1,39% na parcial do mês, reaching R$ 161,65 pela saca de 60 quilos até quarta-feira (23/9).
Plantio avança de forma irregular
A nova safra brasileira começa dentro da normalidade, embora o El Niño preocupe produtores em diferentes regiões. No Paraná, a boa umidade do solo tem permitido um plantio mais adiantado. Em Mato Grosso, as chuvas chegam de forma mais irregular, levando os agricultores a semearem de maneira mais paulatina, especialmente nas áreas com condições adequadas.
Milho e trigo também recuam
Os demais grãos acompanharam a pressão sobre a soja em Chicago. O milho para dezembro de 2026 caiu 0,28%, sendo cotado a US$ 5,27 por bushel, enquanto o contrato de março de 2027 recuou 0,37%, para US$ 5,41. O trigo para dezembro encerrou em baixa de 0,21%, a US$ 7,07 por bushel.
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