Produção de trigo em São Paulo pode crescer até 300 mil toneladas por safra
São Paulo pode adicionar até 300 mil toneladas à produção de trigo por safra se a cultura ocupar parte das áreas atualmente usadas com milho safrinha. Especialistas apontam 89,8 mil hectares com aptidão para expansão, mas destacam a necessidade de investimentos em pesquisa, logística e redução de riscos climáticos.

Divulgação
São Paulo tem potencial para aumentar em até 300 mil toneladas a produção de trigo por safra, caso a cultura avance sobre parte das áreas atualmente ocupadas pelo milho safrinha. A avaliação foi apresentada durante o 11º Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo de São Paulo e indica uma oportunidade relevante para diversificar a produção agrícola e fortalecer o abastecimento do principal mercado consumidor do cereal no país.
Potencial identificado nas regiões aptas ao cultivo
O cálculo considera a ocupação de apenas 10% das áreas de milho safrinha localizadas em regiões consideradas adequadas para o trigo, com base no zoneamento agroclimático estadual. Nesse cenário, seriam incorporados aproximadamente 89,8 mil hectares à produção paulista, ampliando a participação do cereal no sistema agrícola sem exigir a conversão total das lavouras de segunda safra.
Assis concentra a maior possibilidade de expansão, com cerca de 37 mil hectares adicionais. Em seguida aparecem Ourinhos, com 14 mil hectares, Presidente Prudente, com 13 mil, e São Joaquim da Barra, com 8 mil. Somadas, essas quatro regiões poderiam receber aproximadamente 72 mil hectares de trigo, gerando um acréscimo estimado entre 222 mil e 237 mil toneladas, conforme o padrão de produtividade utilizado como referência.
Quando considerados todos os 89,8 mil hectares apontados no levantamento, o ganho pode variar entre 270 mil e 300 mil toneladas por safra. O avanço depende da combinação entre planejamento de plantio, disponibilidade de cultivares adaptadas e adoção de tecnologias que aumentem a estabilidade da produção diante das variações climáticas.
Cadeia paulista ganhou escala e qualidade
A capacidade de crescimento ocorre em um momento de consolidação da triticultura paulista. O Estado produziu cerca de 500 mil toneladas em 2023, recorde obtido após anos de organização do setor. Em 2012, quando a Câmara Setorial do Trigo foi reativada, a produção girava em torno de 90 mil toneladas e apresentava maior variação na qualidade do grão.
Para produtores e representantes da cadeia, São Paulo reúne condições para produzir até 800 mil toneladas e possui demanda interna suficiente para absorver esse volume. A manutenção desse ritmo, porém, exige investimentos em pesquisa, armazenagem, transporte e estrutura logística, além da continuidade do trabalho entre produtores, indústrias, instituições de pesquisa e órgãos públicos.
Expansão precisa reduzir riscos da cultura
O trigo exige atenção diferenciada em comparação com culturas mais estabelecidas no Estado, como soja e milho. A maior exposição a condições climáticas adversas pode comprometer produtividade e qualidade, tornando necessário desenvolver instrumentos que ofereçam mais segurança ao produtor e reduzam incertezas no momento do investimento.
Para a safra 2025/26, o Instituto de Economia Agrícola estima produção paulista de 410,6 mil toneladas. O volume fica abaixo do recorde de 2023, mas confirma o trigo como uma cultura em expansão no Estado. O desafio agora é transformar áreas potencialmente aptas em lavouras produtivas e sustentáveis, garantindo ganhos econômicos e maior regularidade no fornecimento ao mercado.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








