Importação de trigo pode chegar a 9 milhões de toneladas em 2026/27
Brasil pode ampliar as compras externas de trigo para 9 milhões de toneladas na safra 2026/27. Clima, qualidade, localização da produção e volumes já comprometidos pressionam o abastecimento dos moinhos.

Divulgação
O Brasil pode precisar importar até 9 milhões de toneladas de trigo na safra 2026/27, volume acima das projeções iniciais para o período. A possibilidade foi apresentada por Daniel Kümmel, presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), durante a abertura do 11º Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo de São Paulo.
Projeção inicial pode ficar abaixo da necessidade real
As estimativas atuais indicam compras externas de aproximadamente 7,5 milhões de toneladas. A avaliação da Abitrigo, no entanto, é de que a demanda efetiva da indústria poderá ser maior, aproximando-se de 9 milhões de toneladas. O cenário reflete a combinação entre uma safra nacional reduzida e a necessidade de manter o fornecimento regular aos moinhos.
A produção brasileira de trigo está estimada em cerca de 5,7 milhões de toneladas, com perdas atribuídas às condições climáticas. Parte desse volume já está comprometida, o que reduz a disponibilidade real para a indústria. Além do tamanho da safra, os moinhos precisam considerar a época de entrega, a região onde o cereal está armazenado e suas características de qualidade.
Para o setor industrial, o volume total produzido não representa necessariamente a quantidade imediatamente utilizável. Trigos com especificações inadequadas para determinados processos de moagem podem exigir misturas com grãos importados. Essa necessidade técnica aumenta a dependência do mercado externo mesmo quando há produção nacional disponível.
São Paulo mantém dependência estrutural das importações
Em São Paulo, o crescimento da produção local e a proximidade das lavouras dos centros consumidores ajudam a reduzir custos e melhorar a logística. Ainda assim, a participação do trigo paulista não elimina a necessidade de compras internacionais, devido ao porte do mercado consumidor e à capacidade de processamento instalada no Estado.
O trigo produzido em São Paulo e o grão importado devem continuar atuando de forma complementar. A estratégia busca preservar o abastecimento da indústria e evitar rupturas no fornecimento de farinha e de outros produtos derivados. Qualquer queda na disponibilidade interna tende a ser compensada por novas operações de importação.
Argentina e Paraguai devem permanecer como os principais fornecedores do Brasil. A Argentina, embora tradicional no mercado, enfrenta restrições relacionadas à qualidade de parte de seu cereal. A Rússia também pode participar das compras brasileiras, mas sua atuação é limitada pelas exigências sanitárias estabelecidas pelo governo.
Se as importações alcançarem 9 milhões de toneladas, o país terá de buscar volumes adicionais nas mesmas origens e em uma janela de tempo relativamente concentrada. O movimento pode aumentar a pressão sobre preços, frete e disponibilidade internacional, tornando o planejamento de estoques ainda mais importante para a cadeia do trigo.
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