Mulheres lideram expansão no cooperativismo goiano com foco em colaboração e novas estratégias
A Barunea, cooperativa pioneira de arquitetas em Goiânia, exemplifica a ascensão feminina no setor, que registra crescimento expressivo em cargos de gestão e liderança em Goiás.

Divulgação
A crescente participação feminina na gestão de cooperativas em Goiás ganha destaque com iniciativas inovadoras como a Barunea, a primeira cooperativa do Brasil formada exclusivamente por mulheres da área de arquitetura. Fundada em março deste ano em Goiânia, a organização tem como presidente do Conselho de Administração a arquiteta Julia de Moraes Pereira, de 35 anos. A Barunea surge da percepção de que, apesar da forte presença feminina na arquitetura, as oportunidades de liderança e visibilidade profissional nem sempre acompanham essa proporção. Aliado a isso, o mercado da arquitetura é marcado pela fragmentação e pela atuação isolada de muitos escritórios.
Barunea: um modelo de colaboração e crescimento
A proposta da Barunea é clara: aproximar trajetórias e especialidades para fortalecer a atuação de todas as profissionais. As 11 cooperadas, que também são as fundadoras, trabalham na estruturação de uma organização capaz de integrar diferentes competências em projetos de arquitetura, urbanismo e espaços corporativos. O objetivo é ampliar oportunidades de trabalho e demonstrar que a colaboração, a competência técnica e a gestão coletiva podem ser estratégias eficazes para o crescimento e o acesso a projetos mais complexos. A escolha pelo cooperativismo, para o grupo, foi natural, baseada na experiência prévia de algumas fundadoras em cooperativas de crédito e na crença nos benefícios da união de profissionais.
Posicionamento estratégico e impacto no setor
Ainda em seu primeiro ano, a Barunea foca na consolidação de processos internos e na formação de uma rede profissional integrada. O perfil dos clientes já aponta para um caminho estratégico: 90% são empresas, com metade delas sendo cooperativas. O posicionamento da Barunea é voltado especialmente para o próprio setor cooperativista, buscando oportunidades em cooperativas de crédito, saúde, infraestrutura e energia, além de federações e centrais. A lógica da cooperativa permite que um projeto reúna arquitetas com especialidades distintas, somando experiências e ampliando a capacidade de atuação sem que cada profissional precise abrir mão de sua trajetória individual.
Ascensão feminina no cooperativismo goiano
A experiência da Barunea se insere em um contexto maior de ascensão feminina nos espaços de poder e decisão no cooperativismo goiano. Segundo o Sistema OCB/GO, 768 mulheres ocupam cargos de gestão em cooperativas no estado. Desse total, 60 são presidentes e 145 vice-presidentes. No ramo de trabalho, produção de bens e serviços, elas representam 73% dos dirigentes, a maior participação feminina entre os segmentos. O avanço é notável: entre 2022 e 2026, o número de mulheres na presidência de cooperativas em Goiás saltou de 25 para 60, um crescimento de 140%. Em uma década, o número de mulheres em cargos de liderança praticamente triplicou, passando de 205 em 2016 para 768 em 2026, um aumento de 274%.
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