Importações de nitrogenados atingem menor nível em seis anos
As compras brasileiras de fertilizantes nitrogenados caíram cerca de 20% em 2026 na comparação anual, com estoques sendo recompostos lentamente antes da safrinha. A expectativa é de maior movimento no segundo semestre, mas custos elevados e riscos internacionais podem pressionar preços e disponibilidade.

Divulgação
Compras recuam antes da safrinha
As importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados registraram, em 2026, o menor volume de nitrogênio contido nesses produtos em seis anos. As aquisições de ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio estão cerca de 20% abaixo do observado no mesmo período do ano passado. O recuo ocorre em um momento sensível para o campo, já que o país se aproxima da janela de recomposição de estoques para a safrinha de milho.
Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX, avalia que o mercado brasileiro está cada vez mais próximo da safrinha, mas a recomposição dos estoques de nitrogenados ainda avança em ritmo lento. O cenário exige atenção porque o milho demanda doses importantes de nitrogênio, e a falta de produto no momento adequado pode comprometer o planejamento das propriedades rurais.
Segundo semestre deve aquecer o mercado
A tendência é que as compras brasileiras ganhem força na segunda metade do ano, à medida que traders, distribuidores e produtores passem a buscar cargas para garantir suprimento antes do plantio do milho. Esse movimento costuma ser influenciado não apenas pela demanda interna, mas também pela disponibilidade internacional, pelos fretes e pela formação dos preços.
Em números absolutos, as importações de ureia somaram 2,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, queda de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. No nitrato de amônio, a redução foi ainda maior, de 25%. Os dados mostram que o recuo não está restrito a um único produto, mas envolve parte relevante dos fertilizantes nitrogenados utilizados no país.
Compradores esperam melhores condições
A leitura do mercado é que os compradores brasileiros permanecem cautelosos e podem estar aguardando condições mais favoráveis para fechar novas aquisições. A possível ampliação das exportações chinesas de ureia nos próximos meses pode abrir uma janela de oportunidade para o Brasil, aumentando a oferta disponível e ajudando a aliviar parte da pressão sobre os preços.
Mesmo assim, o otimismo precisa ser moderado. O tráfego pelo Estreito de Ormuz segue reduzido, os custos do gás natural, matéria-prima central na produção de nitrogenados, permanecem em alta e ainda há incerteza sobre o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. Esses fatores mantêm o mercado exposto a oscilações e limitam a capacidade de planejamento dos compradores.
Outro ponto de atenção é a aproximação do período de recomposição de estoques para a próxima safra dos Estados Unidos. Se os compradores norte-americanos aumentarem suas demandas, o Brasil poderá disputar cargas com o Hemisfério Norte, especialmente se a oferta global continuar apertada. Para o produtor, a mensagem é clara: postergar demais as compras pode elevar o risco de pagar mais caro ou enfrentar menor disponibilidade no momento de maior necessidade.
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