Fibra de bananeira de Santa Catarina vira bolsa de luxo e desfila na Semana de Moda de Milão
Um projeto inovador em Corupá, Santa Catarina, transformou o pseudocaule da bananeira, antes descartado, em uma sofisticada bolsa que brilhou na renomada Semana de Moda de Milão. A peça, resultado do trabalho de artesãos locais e da colaboração com marcas sustentáveis, destaca o potencial da moda circular e a valorização do artesanato brasileiro no cenário global.

Divulgação
A versatilidade da bananeira vai muito além da produção de frutas, revelando um potencial inesperado na indústria da moda. No município de Corupá, localizado no Norte de Santa Catarina – uma região que se destaca pela expressiva produção de bananas –, um projeto inovador transformou o que antes era um resíduo agrícola em uma sofisticada matéria-prima. A fibra extraída do pseudocaule da bananeira deu origem a uma bolsa artesanal que não apenas conquistou, mas brilhou na prestigiada Semana de Moda de Milão, na Itália, um dos epicentros mundiais da alta costura.
Da fibra ao desfile internacional
O acessório que chamou a atenção global é fruto do empenho de alunos do curso de artesanato e integrantes do Coletivo Fibra Flor. Esse trabalho faz parte do projeto cultural “Museu da Banana: valorização da bananicultura além do campo”, uma iniciativa que busca agregar valor à cadeia produtiva da banana. A chegada da peça ao evento internacional foi viabilizada por meio de uma colaboração estratégica com a Pacoa, uma marca brasileira de calçados sustentáveis, e a Celeste, focada em moda praia, ambas reconhecidas por suas práticas alinhadas à sustentabilidade. O desfile, que aconteceu em setembro, foi organizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e reuniu dez empresas nacionais com forte compromisso ambiental, que apresentaram suas coleções exclusivas a um público seleto de estilistas, compradores e jornalistas.
Reconhecimento de um saber-fazer ancestral
A participação da bolsa de fibra de bananeira em um palco tão relevante como a Semana de Moda de Milão representa um marco significativo. Para Elfi Minatti Mokwa, agricultora, mestra-artesã e professora envolvida no projeto, o momento é de imenso orgulho. "É uma satisfação indescritível ver o que é feito com as nossas mãos e a nossa história ganharem o mundo", comenta. "Saber que a fibra, que um dia foi descarte, agora carrega identidade e preserva o nosso ‘saber fazer’, é a maior recompensa de uma vida dedicada ao artesanato." A designer Fabiana Bertoldi reforça essa percepção, destacando o poder da moda circular brasileira. "Trabalhar com a fibra de bananeira e conectar nosso artesanato com marcas de moda praia e calçados sustentáveis, como a Celeste e a Pacoa, foi transformador. A bolsa prova que nosso trabalho tem sofisticação, propósito e um lugar garantido no mercado global", afirma Bertoldi, sublinhando o potencial de impacto e valorização do artesanato nacional.
Design inspirado na riqueza local
O design da bolsa apresentada em Milão é uma homenagem à rica biodiversidade de Santa Catarina, com inspiração nas orquídeas nativas da região e no legado do Orquidário Alvim Seidel, um dos mais antigos do Brasil ainda em atividade, que completou 120 anos. Essa conexão com a natureza e a história local adiciona uma camada de profundidade e autenticidade ao acessório, transformando-o em um embaixador da cultura e sustentabilidade brasileiras. Embora o valor e outros detalhes comerciais ainda estejam sendo definidos, a expectativa é que a bolsa esteja disponível para venda, consolidando o ciclo de valorização desde o campo até o consumidor final. O sucesso dessa iniciativa em Milão não apenas eleva o status da fibra de bananeira como matéria-prima de luxo, mas também abre novas portas para a moda sustentável e o artesanato do interior do Brasil no cenário internacional.
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