Brasil projeta retomada das exportações de aves e mel para a União Europeia até novembro
O governo brasileiro está otimista com a liberação das exportações de carne de aves e mel para a União Europeia até novembro, após um relatório técnico favorável. A suspensão, que ocorreu em setembro devido a questionamentos sobre o uso de antimicrobianos, pode ser revertida pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da UE. Enquanto a indústria avícola e de mel se prepara para retomar os embarques, o cenário para a carne bovina brasileira no mercado europeu aponta para uma espera mais prolongada.

Divulgação
O Brasil está em compasso de espera pela União Europeia (UE) para a liberação das exportações de carne de aves e mel, com a expectativa de que a decisão favorável possa chegar até novembro. As negociações, que se intensificaram nos últimos dias, apontam para um desfecho positivo, conforme avaliação de representantes do governo brasileiro que estiveram em Bruxelas para tratar do assunto. A movimentação é crucial para o setor agropecuário nacional, que busca reverter a suspensão imposta pelo bloco europeu e reafirmar a qualidade de seus produtos no mercado internacional.
Entenda a suspensão da União Europeia
A União Europeia suspendeu a compra desses produtos de origem animal do Brasil desde 3 de setembro, motivada por alegações de que o país não teria conseguido comprovar um controle eficaz sobre o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas. A reversão dessa medida está nas mãos do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff), órgão que tem reuniões agendadas para o final de outubro e para novembro. A decisão do Scopaff é baseada em um parecer técnico fundamental.
Relatório técnico aponta condições para retomada
Um parecer técnico favorável ao Brasil já foi obtido por autoridades europeias. Isso ocorreu após uma missão de inspeção em agosto, que avaliou unidades de produção e o sistema sanitário brasileiro. A conclusão dessa missão apontou que os segmentos de aves e mel do país demonstraram ter plenas condições de garantir a não utilização de antimicrobianos, atendendo aos rigorosos padrões europeus. Este relatório será crucial para a validação do Scopaff, alimentando o otimismo de que a decisão final será em prol do Brasil, permitindo a retomada dos embarques.
Otimismo e preparo da indústria brasileira
Augusto Billi, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, expressou confiança durante um evento internacional do setor de alimentos, afirmando que o relatório favorável será apresentado e que a decisão de novembro deverá culminar na publicação da liberação para dezembro. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), corrobora essa visão, descrevendo a situação com os europeus como burocrática e já resolvida, sem “nenhuma violação” por parte do Brasil. Ele ainda reforçou que a indústria de carne de frango está pronta para reiniciar os embarques “no dia seguinte” à liberação, tendo mantido a produção destinada ao bloco sem interrupções.
Cenário para carne bovina é diferente
Contudo, a expectativa para a carne bovina brasileira é distinta. A retomada das vendas para o mercado europeu deve demorar mais. Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), salientou que, embora a UE represente cerca de 5% do volume de carne bovina exportada pelo Brasil, sua importância reside na formação de preço e no prestígio que o mercado europeu confere. Há um diálogo contínuo entre os governos e os setores privados para que as restrições sejam suspensas o mais breve possível, mas o caminho para a carne bovina parece mais longo.
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