Área de florestas plantadas em Goiás tem maior queda proporcional do país
Goiás registrou a maior redução proporcional do Brasil na área de florestas plantadas para fins comerciais em 2025. Apesar da retração de 13,6%, a produção e o valor da lenha de eucalipto cresceram no estado.

Divulgação
A área de florestas plantadas para fins comerciais em Goiás chegou a 106,4 mil hectares em 2025, com queda de 13,6% em relação ao ano anterior. O recuo foi o maior do país em termos proporcionais e ocorreu na contramão do resultado nacional. No Brasil, a área destinada à silvicultura cresceu 4,8%, passando de 9,9 milhões para 10,4 milhões de hectares.
Retração supera 16 mil hectares
Em números absolutos, a superfície goiana recuou de 123,2 mil hectares em 2024 para 106,4 mil hectares em 2025, uma diferença superior a 16 mil hectares. O movimento ganhou relevância porque Goiás apresentou variação negativa mais acentuada do que outros estados, como Paraíba e Espírito Santo, que também registraram reduções relevantes.
Eucalipto concentra a atividade
O eucalipto continuou sendo a principal espécie cultivada no estado. Foram 96,8 mil hectares, equivalentes a 91% de toda a área goiana destinada à silvicultura. Em comparação com 2024, quando o plantio da espécie ocupava 113,8 mil hectares, houve redução de 14,9%, ritmo que contribuiu diretamente para a queda observada no total estadual.
O pinus, segunda cultura identificada individualmente na pesquisa, ocupou 4,6 mil hectares em 2025. A área ficou 4,5% abaixo dos 4,9 mil hectares registrados no ano anterior. A predominância do eucalipto reforça a dependência do setor em relação à espécie, utilizada tanto na produção de madeira quanto no fornecimento de biomassa para diferentes cadeias produtivas.
Produção e valor da lenha avançam
A redução da área plantada não foi acompanhada por queda na produção de lenha de eucalipto. Goiás produziu 3,9 milhões de metros cúbicos do produto em 2025, volume 20,2% superior ao registrado em 2024. O valor da produção saltou de R$ 387,3 milhões para R$ 600,5 milhões, crescimento de 55%.
O avanço simultâneo da quantidade produzida e do valor econômico pode estar relacionado a ganhos de produtividade, ciclos de corte, composição das áreas e condições de mercado. Os dados, porém, não permitem atribuir o resultado a apenas um fator. Eles mostram que a menor extensão plantada não significou, necessariamente, menor oferta de lenha.
Lenha representa mais da metade do valor
A lenha de eucalipto respondeu por 60,8% do valor da produção da silvicultura em Goiás em 2025, ante 49,6% em 2024. A elevação da participação indica que a atividade florestal estadual se tornou ainda mais dependente economicamente desse produto, especialmente em um cenário de forte demanda por fontes de energia utilizadas na indústria e em outras atividades produtivas.
Municípios lideram a produção
Campo Alegre de Goiás foi o município com a maior produção de lenha de eucalipto, alcançando 600 mil metros cúbicos e R$ 120 milhões em valor de produção. Rio Verde apareceu em seguida, com 480,4 mil metros cúbicos e R$ 67,3 milhões, seguido por Ipameri, que produziu 340 mil metros cúbicos e gerou R$ 61,2 milhões.
Paraúna e Catalão também se destacaram. Paraúna registrou 267,1 mil metros cúbicos, com valor de produção de R$ 37,4 milhões. Catalão produziu 250 mil metros cúbicos e alcançou R$ 42,5 milhões. O conjunto de dados revela um setor que ocupa menos área, mas mantém capacidade elevada de produção e assume importância crescente na economia florestal goiana.
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