Alta do arroz ainda não garante rentabilidade no campo, aponta estudo
Recuperação nos preços em setembro alivia, mas custos de produção continuam a pressionar o setor orizícola gaúcho.

Divulgação
A recente valorização do arroz em casca nas lavouras do Rio Grande do Sul trouxe um alívio momentâneo para os produtores, diminuindo a defasagem entre os preços de mercado e os custos de produção. Contudo, a análise mais aprofundada revela que essa recuperação, embora positiva, ainda não é suficiente para assegurar o equilíbrio econômico sustentável do setor no longo prazo. A situação exige atenção contínua dos envolvidos na cadeia produtiva.
Custos operacionais e totais em foco
Dados referentes a agosto indicam que, em importantes regiões produtoras como Camaquã e Uruguaiana, a receita gerada pela produtividade típica das lavouras já conseguia cobrir os custos operacionais. No entanto, o custo total, que engloba investimentos em infraestrutura, depreciação de equipamentos e outros gastos fixos, ainda se mantinha acima do valor obtido com a venda do grão. Essa disparidade evidencia os desafios que os produtores enfrentam para manter a saúde financeira de suas propriedades.
Dinâmica do mercado e demanda externa
No mercado físico, a atuação das indústrias processadoras apresentou um comportamento heterogêneo, com algumas demonstrando maior interesse na compra e outras mais cautelosas. Paralelamente, a demanda externa pelo produto brasileiro registrou uma redução, o que, de certa forma, diminuiu a pressão compradora e contribuiu para a estabilização, mas não para uma alta expressiva que pudesse reverter o quadro de rentabilidade de forma robusta.
Preços no varejo e semeadura da nova safra
Ainda que os preços no campo mostrem sinais de recuperação, o reflexo no varejo também tem sido de alta, com os valores do arroz voltando a subir em setembro. Enquanto isso, o cenário no Rio Grande do Sul já se volta para o futuro, com o avanço da semeadura da safra 2026/27 em diversas regiões do estado. A expectativa é que as condições climáticas e as políticas agrícolas dos próximos anos possam influenciar positivamente a rentabilidade do setor.
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