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Tecnologia

Golpe do Free Flow se multiplica com pedágios sem cancela

Crime virtual explora dados reais de veículos para aplicar fraudes em sistema de cobrança automática, com 480 páginas falsas já mapeadas este ano.

Roberto·
Golpe do Free Flow se multiplica com pedágios sem cancela

O avanço do sistema de pedágio eletrônico sem cancela Free Flow no Brasil não veio desacompanhado: registrou-se um crescimento exponencial nas fraudes digitais associadas à nova modalidade. Levantamento interno de especialistas em cibersegurança identificou 480 sites fraudulentos desde o início de 2026, sendo que 80 deles surgiram nas últimas semanas, aproveitando a migração dos motoristas para canais digitais de pagamento.

A proliferação dos golpes coincide com a recente integração do aplicativo CNH do Brasil, que passou a permitir consultas de débitos de pedágio e direcionamento aos canais oficiais de quitação. Enquanto os criminosos se valem da ansiedade dos condutores por regularizar viagens recentes, as páginas clonadas simulam páginas de concessionárias rodoviárias, exibindo informações reais do veículo — como modelo e placa — para conferir credibilidade à cobrança. O valor apresentado, muitas vezes baixo e compatível com tarifas de pedágio, é pago via Pix, mas o dinheiro termina em contas de terceiros, os chamados ‘laranjas’.

O esquema se baseia na busca ativa dos motoristas por débitos não pagos. Ao pesquisar por serviços de pagamento ou clicar em anúncios patrocinados em redes sociais, o usuário é direcionado a domínios falsos que replicam a identidade visual de empresas concessionárias. A ausência de um canal único para consulta e pagamento, aliada à diversidade de operadoras de rodovias, criou um ambiente propício para a ação dos fraudadores.

Ameaça se aproveita da falta de padronização no setor

Especialistas apontam que a pulverização de sites e aplicativos para verificação de débitos é um dos principais facilitadores dos golpes. “A quantidade de páginas falsas revela como a fragmentação dos canais pode confundir o usuário e abrir brechas para crimes”, analisa Pedro Hermano, CEO da plataforma Pedágio Eletrônico. Segundo ele, a consolidação dos serviços no aplicativo da CNH do Brasil representa um avanço significativo, pois reduz a necessidade de buscas externas e minimiza os riscos de exposição a sites clonados.

Medidas práticas para evitar perdas

Para se proteger, os especialistas recomendam ações simples, mas essenciais. Primeiro, baixe o aplicativo CNH do Brasil somente nas lojas oficiais — Google Play e App Store — e verifique se o desenvolvedor é o Governo Federal. Nunca utilize links recebidos por SMS ou WhatsApp, mesmo que pareçam oficiais. Na hora do pagamento, confira sempre os dados do favorecido no Pix: valores de pedágio jamais são transferidos para pessoas físicas ou intermediários desconhecidos. Por fim, evite clicar em links patrocinados em buscadores; digite diretamente o endereço do site oficial da concessionária na barra do navegador.

A unificação dos serviços no ambiente governamental surge como resposta necessária para conter o avanço das fraudes. Fabio Assolini, pesquisador líder da Kaspersky, destaca que a centralização da consulta e do pagamento no app da CNH elimina a necessidade de buscas dispersas na internet — um convite aberto aos criminosos. “Antes, o motorista tinha de encontrar o site de cada concessionária, e essa jornada fragmentada era um prato cheio para os golpistas”, explica. Com a medida, espera-se não apenas reduzir as fraudes, mas também aumentar a confiança do usuário no sistema Free Flow.

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