Roberta Miranda põe fim a postura de defesa de colegas no sertanejo após desilusão
Aos 69 anos, a pioneira do gênero sertanejo revela decepção com a ausência de apoio de colegas após abrir-se sobre a perda de um filho e anuncia que não mais se posicionará publicamente em defesa de outros artistas.

A trajetória de Roberta Miranda no sertanejo, marcada por pioneirismo e resistência em um ambiente predominantemente masculino, ganha um novo capítulo com um desabafo contundente. Aos 69 anos, a cantora, que estreou em disco em 1986 e se tornou referência para mulheres no gênero com sucessos como *Vá Pra Sua Casa* e *Majestade o Sabiá*, declarou que não mais defenderá publicamente colegas do meio musical.
O anúncio surge após um relato pessoal em que ela revelou não ter recebido qualquer manifestação de apoio de outras artistas do sertanejo após compartilhar a perda de um filho na juventude, decorrente de uma agressão física. Nem mesmo mensagens privadas ou contatos pessoais foram feitos pelas colegas, o que a cantora classificou como a maior decepção de sua trajetória no meio artístico. "Eu esperava algum gesto, mas não veio nada", afirmou, destacando que a indiferença doeu mais do que a exposição de seu próprio trauma.
A decisão de se manter em silêncio diante de polêmicas envolvendo outros artistas reflete uma mudança radical em sua postura pública. Por anos, Roberta Miranda utilizou sua visibilidade para defender cantoras mais jovens em episódios de crítica e ataque nas redes, uma prática que agora encerra. A crítica, no entanto, não é dirigida a nomes específicos, mas ao comportamento coletivo do meio, que, segundo ela, prega união, mas falha em apoiar individualmente quando não há repercussão comercial envolvida.
O desabafo toca em uma discussão recorrente no sertanejo: a distância entre o discurso de solidariedade entre mulheres e a prática concreta de apoio mútuo. Roberta Miranda, que também revelou em entrevista ao *Fantástico* ter sido vítima de violência sexual na adolescência — episódio que resultou em uma gravidez interrompida após agressão —, foi uma das primeiras a abrir caminho para as mulheres no gênero. Sua trajetória, contudo, parece agora se afastar do ativismo público que a caracterizou nas últimas décadas.
Enquanto isso, o setor segue debatendo os desafios enfrentados por mulheres no sertanejo, onde a visibilidade nem sempre se traduz em apoio efetivo. A decisão de Roberta Miranda levanta questionamentos sobre os limites da solidariedade no meio artístico e sobre como o trauma pessoal pode redefinir posturas públicas.



