Roberta Miranda expõe solidão no sertanejo e abandona defesa pública de colegas
Aos 69 anos, a pioneira do gênero critica a ausência de apoio de colegas após revelar perda de filho e anuncia fim de sua postura pública em defesa de outros artistas.

Com a franqueza que sempre a caracterizou, Roberta Miranda, aos 69 anos, expôs uma ferida aberta no meio sertanejo ao revelar que nenhuma colega de profissão — nem mesmo aquelas com quem mantinha laços de amizade declarada — se manifestou após ela tornar público o luto pela perda de um filho na juventude. A decepção, segundo a cantora, foi maior do que o próprio trauma, pois veio justamente de mulheres que, ao longo dos anos, ela defendeu publicamente quando foram alvo de polêmicas ou ataques.
O desabafo, feito sem citar nomes, não mira artistas específicas, mas o comportamento coletivo do setor. Roberta anunciou que, a partir de agora, não mais se posicionará publicamente em defesa de colegas, decisão que encerra uma postura que marcou sua trajetória recente. "Não vou mais colocar a cara para bater por ninguém", declarou, reforçando que passará a se manter em silêncio diante de controvérsias que não a afetem diretamente.
A revelação tem peso histórico. Pioneira do sertanejo feminino — primeira mulher a alcançar projeção nacional sustentada em um gênero dominado por homens desde a década de 1980 —, Roberta Miranda abriu caminho para gerações de artistas como as que hoje ocupam o mercado. Com canções como *Vá Pra Sua Casa*, *Majestade o Sabiá* e *Sonho Por Sonho*, ela não apenas se destacou artisticamente, mas também se tornou uma voz de defesa para outras cantoras, especialmente as mais jovens, quando estas enfrentavam críticas ou ataques nas redes sociais.
O anúncio, no entanto, expõe uma contradição recorrente no meio: o discurso de união entre mulheres muitas vezes esbarra na prática quando se trata de apoios individuais, sobretudo em casos sem repercussão comercial ou midiática. A cantora, que já havia relatado em entrevista ao *Fantástico* (TV Globo) ter sido vítima de violência sexual na adolescência — o que resultou na interrupção de uma gravidez após agressão —, agora traz à tona a falta de solidariedade no ambiente que ajudou a construir.
O momento também levanta reflexões sobre os limites da sororidade no sertanejo, um gênero que, embora tenha evoluído na presença feminina, ainda enfrenta desafios estruturais em sua cultura.Roberta Miranda, que estreou em disco em 1986, vê sua decisão como um rompimento necessário com uma dinâmica que, para ela, provou ser mais exaustiva do que enriquecedora.
Para quem busca orientação ou denúncias de violência contra mulheres, crianças e adolescentes, os canais oficiais permanecem acessíveis: a Central de Atendimento à Mulher (180) funciona 24 horas e orienta sobre rede de proteção, enquanto o Disque 100 recebe denúncias de violência contra menores.



