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Marcelo Gasparini, da dupla com Mauricio, morre aos 54

Sertanejo faleceu em Ribeirão Preto após batalha contra leucemia; irmão gêmeo foi doador de medula. Prefeitura decretou luto oficial de três dias na cidade.

Wanessa·
Marcelo Gasparini, da dupla com Mauricio, morre aos 54

Marcelo Gasparini, integrante da dupla sertaneja com seu irmão gêmeo Mauricio, morreu na madrugada de segunda-feira (31), aos 54 anos, em um hospital particular de Ribeirão Preto (SP). A perda encerra uma trajetória marcada pela música, pela resiliência e pela união familiar, interrompida por uma batalha contra a leucemia mieloide aguda, diagnosticada em fevereiro.

Uma trajetória interrompida pela doença

O diagnóstico de leucemia mieloide aguda, conhecida pela sigla LMA, veio após uma infecção bacteriana identificada no início do ano. Desde então, Marcelo enfrentou um tratamento intenso, que incluiu um transplante de medula óssea — procedimento no qual o irmão gêmeo, Mauricio Gasparini, atuou como doador. A compatibilidade entre irmãos gêmeos é considerada alta, mas mesmo assim a doença avançou, levando o cantor a óbito na madrugada de segunda-feira.

O velório ocorreu na segunda-feira, com missa de corpo presente no Velório da Paz, seguido do sepultamento no Cemitério Bom Pastor, ainda na tarde do mesmo dia. Familiares, amigos, fãs e figuras do meio artístico prestaram suas homenagens, em um dia que marcou a despedida de um artista que dividia palco e vida com o irmão há décadas.

A transparência como legado durante o tratamento

Em fevereiro, Marcelo anunciou publicamente o diagnóstico da doença, pedindo orações aos seguidores. A decisão de compartilhar detalhes da rotina médica com o público gerou uma onda de solidariedade nas redes sociais, com mensagens de apoio vindas de fãs, colegas de profissão e moradores da região onde a dupla construiu sua carreira. A atitude reforçou o laço entre o artista e sua audiência, transformando o processo de tratamento em um momento de união coletiva.

A equipe dos artistas publicou uma nota nas redes sociais, destacando que “a doença não venceu”, mas também não poupou o cantor de complicações que levaram ao seu falecimento. O texto enfatizou a coragem de Marcelo ao longo dos meses de luta, sem jamais sugerir que faltou determinação ou vontade de viver. A família, por sua vez, agradeceu publicamente as demonstrações de carinho e pediu respeito à privacidade em um momento de dor.

Raízes sertanejas e o legado do Clube da Viola

Antes de se dedicar integralmente à música, Marcelo era empresário e formado em Direito, mas foi na arte que sua trajetória ganhou notoriedade. A parceria com Mauricio começou ainda na juventude, e a dupla percorreu o país com apresentações que valorizavam a viola caipira e as tradições do sertanejo raiz. Os irmãos integravam o Clube da Viola, projeto voltado à preservação da cultura sertaneja autêntica, o que ampliou ainda mais o impacto de sua perda no meio artístico.

Figuras como o cantor Daniel, que homenageou os irmãos em redes sociais, recordaram o início do Clube da Viola e a importância da dupla para o cenário musical. Mensagens de apoio se multiplicaram ao longo do dia, endereçadas tanto a Mauricio quanto aos familiares enlutados.

Reconhecimento da cidade que abraçou a carreira

A Prefeitura de Ribeirão Preto decretou luto oficial de três dias pela morte de Marcelo, reconhecendo o vínculo inegável da dupla com a cidade. Ribeirão Preto e o interior paulista são um dos polos mais ativos do calendário sertanejo nacional, e os irmãos Gasparini foram figuras centrais nesse circuito, seja em festas, rodeios ou casas de show da região desde o início de suas carreiras.

Marcelo deixa esposa e um filho. Até o fechamento desta matéria, não há informações sobre a continuidade dos trabalhos da dupla ou a agenda de shows futuros. O vazio deixado pelo cantor ecoa não apenas na música, mas também na memória de uma trajetória que uniu talento, irmandade e dedicação à cultura sertaneja raiz.

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