Senador eleito critica encontro entre Moraes e cúpula da PF
Marcel van Hattem (Novo-RS) levanta suspeitas sobre reunião não divulgada entre o ministro do STF e diretores da Polícia Federal, defendendo abertura de processo de impeachment.

Divulgação
O deputado federal e senador eleito pelo Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem (Novo), manifestou nesta quarta-feira (7) preocupação com a notícia de um encontro entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acompanhado do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa, e do delegado Denis de Carli. A reunião, que ocorreu na sede do STF na terça-feira (6), não constava na agenda oficial do magistrado, o que intensificou as críticas do parlamentar.
Suspeitas de articulação e pedido de impeachment
Segundo Van Hattem, a falta de transparência sobre a pauta do encontro alimenta a desconfiança de que existe uma articulação entre as partes. "Há um trabalho coordenado, combinado e que jamais poderia ser aceito. Alexandre de Moraes já precisaria ter sua investigação aberta pelo Supremo Tribunal Federal, e nós estamos aguardando que o Supremo tome essa decisão", declarou o senador eleito, que tomará posse em 2027. Ele reafirmou seu posicionamento favorável à abertura de um processo de impeachment contra o ministro do STF, argumentando que, caso o Supremo não tome as medidas cabíveis, os senadores deverão agir por meio dessa via.
Reunião sob escrutínio
A pauta da reunião entre Moraes e os representantes da Polícia Federal não foi divulgada. O fato de dois agentes públicos sob investigação e um ministro do STF, também sob suspeita de condutas irregulares, terem se reunido sem registro oficial levanta questionamentos sobre a natureza da conversa. Moraes é alvo de apurações relacionadas a supostas atuações ilegais em benefício de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que está preso sob acusação de corrupção. A Polícia Federal seria responsável por conduzir investigações suplementares caso o STF decida pela abertura de um inquérito contra o ministro.
Relações e investigações em andamento
Relatórios da PF indicam um contato significativo entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, com dezenas de mensagens trocadas. Documentos sugerem uma comunicação entre o magistrado e o ex-dono do Banco Master. A análise sobre a necessidade de investigar o ministro foi adiada pelo STF em setembro de 2026, após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que suspendeu a decisão por até 90 dias. Paralelamente, a própria cúpula da Polícia Federal, incluindo o diretor-geral Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Leandro Almada, já foi apontada como suspeita de espionar magistrados do Supremo, chegando a serem afastados de seus cargos por um dia por ordem do ministro André Mendonça, em decorrência de um relatório que apurou as relações de Moraes e sua esposa com Daniel Vorcaro.
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